BLUE
EPISÓDIO
3: FALLING IN BLUE
ESCRITO
POR RAUL ORIHARA
CENA
1 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN – NOITE.
[FLASHBACK IN]
A sala da
direção. Um ambiente amplo e cheio de réplicas de pinturas famosas nas paredes.
Harrison está conversando com Bárbara.
HARRISON: Desculpe
aparecer assim de repente.
BÁRBARA: Não se
preocupe, querido. O que deseja?
HARRISON: O Lucas...
Ele estava lá fora.
BÁRBARA: Como
assim?
HARRISON: Eu estava
indo pra casa e me deparei com ele andando sozinho pela rua. Sei que ele deveria
estar na cama e eu o segui.
BÁRBARA: Onde ele
está?
HARRISON: Voltou pra
cá. Deve estar no quarto. Também fiquei preocupado e só voltei pra alertar.
BÁRBARA: O que ele
foi fazer lá fora?
HARRISON: Não sei,
mas vocês deveriam tomar cuidado. Se ele anda fazendo coisas estranhas, alguém
deveria ficar vigiando.
BÁRBARA: Eu já não
sei mais o que fazer. Ninguém consegue controlá-lo. Muito rebelde.
HARRISON: Posso
ficar aqui pela área essa noite e vigiá-lo se a senhora permitir.
BÁRBARA: Eu...
HARRISON: Sei, eu
sou um estranho. Desculpe.
BÁRBARA: Não! Não é
isso. Uma boa ideia, mas não seria incomodar você demais? Além de ser perigoso,
não é mesmo?
HARRISON: Eu que
estou me oferecendo. Além do mais, eu costumo andar muito a noite e ficar por
aqui não iria me atrapalhar em nada.
BÁRBARA: Ok. Eu
estou muito preocupada.
HARRISON: Eu acho
que eu posso dizer o mesmo. Então eu vou ficar rondando pra ver se vai estar
tudo okay.
[FLASHBACK
OUT]
-corta para:
CENA
2 – INT. CASA DOS PARKER/QUARTO DE HARRISON – NOITE.
Harrison em
frente ao espelho. Ele coloca uma jaqueta e sai. Desce as escadas, entra na
garagem e sai em uma moto. Andando pela rua do orfanato, ele percebe Lucas no
terraço do prédio, olhando para baixo e querendo suicidar-se. Harrison sobe ao
terraço pela escada de emergência e encontra Lucas inclinado sobre a proteção,
preparado para se jogar. Ele se solta, mas Harry o impede de cair, puxando e
jogando-o no chão logo em seguida.
-corta para:
CENA
3. EXT. RUAS DE FLORENCE – DIA
Lana
dirigindo rapidamente. Close-up em seu rosto expressando preocupação. Uma luz rosa e
vermelha cintila em seus olhos. Ela tem visões do orfanato, novamente.
LANA: Será que
finalmente eu te encontrei, Blue?
A mulher
acelera o carro ainda mais.
LANA: Vamos lá,
amigão!
-corta para:
CENA
4. INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN – NOITE
[MÚSICA TOCANDO: People Help the People - Birdy]
Lucas e
Harrison discutindo no terraço do prédio.
LUCAS: O que você
pensa que está fazendo?!
HARRISON: Não,
Lucas! O que você pensa que está fazendo?!
LUCAS: Eu nem te
conheço... O que você quer de mim? Por que está sempre se metendo onde não é
chamado?
HARRISON: Você ia se
matar... Não está bem da cabeça. Olha bem pra o que você ia fazer!
LUCAS: Eu estou
olhando... E o que eu ia fazer? Ora, eu ia fazer um favor ao mundo!
HARRISON: Não. O
mundo não iria gostar de receber esse tipo de favor.
LUCAS: Por que
não me deixa em paz?
HARRISON: Como quer
que eu te deixe em paz se nem você mesmo é capaz de fazer isso, garoto?!
LUCAS: Como não
sou capaz? Eu ia fazer isso agora mesmo. Quero descansar em paz e só há uma
maneira de fazê-lo!
HARRISON: Há uma
forma bem melhor e ela é ir pra cama, dormir e deixar todo mundo menos
preocupado.
LUCAS: Você tá me
vigiando? A diretora te contratou, foi isso? Por que vocês não se metem na vida
de vocês?
HARRISON: Por que
você não deixa de ser tão cabeça dura? Cale essa boca e vá para o seu quarto.
Vamos!
LUCAS: Me impeça!
Harrison suspira e
balança a cabeça, lamentando.
HARRISON: Você que
pediu.
Harry tenta pegar Lucas
pelo braço e ele lhe dá um soco e uma rasteira. Quando Luke prepara-se para
chutá-lo, Harrison ergue o corpo e pega a perna do rapaz, derrubando-o também.
Os dois rolam pelo chão se batendo. Harrison fica por cima de Lucas, com o
rosto próximo ao dele e quando vai lhe dar um soco, ele para. Close-up nos
olhos de Harrison mirando os olhos de Luke.
HARRISON: Por que
não esquece o que aconteceu com você hoje e se permite um amanhã diferente?
Lucas não diz nada.
Harrison o beija. Os olhos de Luke mudam de cor, voltando ao normal. Ele se
acalma. Harrison percebe o garoto calmo e para. Lucas olha para Harrison
seriamente e o empurra. Ele se levanta e dá dois socos na cara de Harrison,
fazendo o garoto sangrar.
[MÚSICA
PARA]
LUCAS: É a última
vez que eu mando você ficar longe de mim.
Ele se afasta aos poucos,
olhando para Harrison.
LUCAS: É a
última! Escute bem! Última!
Lucas sai correndo do
terraço deixando Harry caído no chão, sangrando.
-corta para:
CENA 5 – EXT. ORFANATO GOLDEN GARDEN –
NOITE
Lana ainda
ao volante. Ela percebe a energia de Lucas desaparecer e entra em desespero.
LANA: Meu
Deus... A energia dele... Sumiu.
Ela acelera
o carro e estaciona próximo ao orfanato.
LANA: Mas o que
pode ter acontecido?!
Ela desliga o carro e observa
quando Harrison sai correndo do orfanato e sobe em sua moto.
LANA: Blue?
Lana liga o carro novamente e o segue.
LANA: Vamos ver
quem é você, rapaz.
-corta para:
[ABERTURA]
CENA
6 – INT. CASA DOS PARKER – DIA.
Planos
gerais de Florence, amanhecendo. Pessoas passeando pela praia. Crianças e
adolescentes indo para a escola. Trânsito movimentadíssimo.
Lúcio está tomando
café da manhã. Ele lê o jornal local. Harrison aparece. O garoto está com a
cara coberta por curativos.
HARRISON: Bom dia...
Ele senta-se a mesa.
HARRISON: Pai.
LÚCIO: Bom dia...
Harrison, o que foi que houve com você? Que ferimentos são esses?
Alguns segundos em
silêncio.
HARRISON: Não foi
nada demais. Eu caí de moto ontem e me ralei.
LÚCIO: Um acidente
de moto não é nada demais e esses ferimentos não parecem o resultado de um.
HARRISON: Não
parecem, mas são o resultado de um.
LÚCIO: Tudo bem,
mas preste atenção no que anda fazendo por aí... E eu não estou me referindo a
moto.
HARRISON: Sim, eu
sei.
Os dois se encaram por
um tempo.
HARRISON: Se não for
incomodar, eu vou levar a moto pro conserto e começar a usá-la.
LÚCIO: Como
quiser, mas você vai consultar a sua mãe primeiro e pedir a opinião dela. Não
vou me responsabilizar por mais acidentes. (Sorri)
CENA
6 – INT. CASARÃO ABANDONADO – DIA.
Os Lazúli estão reunidos no salão
da casa. Inverno discutindo sobre Lucas e a dificuldade da missão.
INVERNO: Eu já
estou ficando de saco cheio desse garoto. Ele já está lá fora como sempre. Se
soubesse de nossa existência, estaria rindo da nossa cara.
ELIZABETH: O que você
quer que a gente faça, Inverno? Que a gente sequestre o garoto? É isso?
INVERNO: Seria até
melhor fazer isso.
ADOLPH: Espera aí.
Não vamos nos precipitar, por favor. Estamos com um poder se aproximando de
nossas mãos. Inverno, você não deveria ter vindo conosco.
INVERNO: Seu
ingrato! Se eu não estivesse aqui, Elizabeth e você estariam mortos agora.
ELIZABETH: Você é
impaciente e isso nos desestabiliza.
INVERNO: Só queria
que fossemos mais ágeis. Vamos ficar nessa brincadeira até ele se formar,
casar, ter filhos... é isso? É o que querem pra vocês?
ELIZABETH: Nós
estamos seguindo as regras impostas por nossa família. Se não está de acordo,
converse você com o chefe.
ADOLPH: Se não tem
nada de bom a fazer. Senta aí e procure nos ajudar.
ELIZABETH: O Lucas já
saiu do orfanato. Parece estar mais calmo e isso é bom, por enquanto. Vamos
aguardar um novo momento de fragilidade.
Inverno olha para os
parceiros, impacientemente.
-corta para:
CENA 7 – INT. FLORENCE HIGH – DIA.
Paris
organizando seus livros no armário. Um garoto (Lucas Till) aparece, lhe
assustando ao abraça-la. Ela se desprende do rapaz.
PARIS: Edward!
Que susto!
EDWARD: Quê isso,
gata? Tá nervosa?
PARIS: Eu não
estou pra brincadeiras hoje.
EDWARD: Vai dizer
que não quer brincar comigo?
PARIS: Edward, o
que nós falamos sobre isso?
EDWARD: Isso o
quê?
PARIS: Nós dois.
Vou te lembrar... Eu terminei com você. Não quero mais falar com você e se não
for pedir muito, quero te ver bem longe de mim.
EDWARD: Paris,
deixa de ser assim, gata... Vem cá. Olha nos meus olhos. A gente não terminou.
Você só está em um momento de pressões e não está sabendo organizar as coisas.
PARIS: O único
momento de pressão que eu vou ter vai ser da minha mão na sua cara.
EDWARD: Calma aí,
P.
Paris se afasta dele e
Edward entra em sua frente.
EDWARD: Por que tá
me evitando?
PARIS: Eu não
tenho porque te evitar. Nós não temos mais nada! Você tá pirando...
EDWARD: Você é a
minha garota.
PARIS: Eu não sou
garota de ninguém. Se enxerga! Sou dona do meu próprio nariz. Nenhum homem vai
me ter como um objeto, seu palhaço. Pode sair da minha frente, agora?
EDWARD: Olha...
Harrison chega no exato
momento.
HARRISON: Algum
problema, Paris?
Edward olha para Harry
da cabeça aos pés.
EDWARD: Nenhum
problema que seja da sua conta, seu playboy. Vaza!
HARRISON: Eu...
EDWARD: Eu disse
pra você vazar.
Edward empurra
Harrison com uma das mãos e com a outra segura Paris.
EDWARD: Paris... É
por causa desse novato que você tá me relaxando? Você conheceu esse cara não
tem nem três dias!
PARIS: Ed, eu não
te relaxei. Eu terminei com você e deixei isso bem claro. Agora, vaza... você.
HARRISON: Melhor
deixá-la em paz!
EDWARD: Você vai
fazer o quê, meu irmão?!
Lucas aparece ao lado
de Edward e coloca a mão no ombro do garoto sem encará-lo.
LUCAS: Larga ela e
sai da frente do meu armário...
EDWARD: Como é que
é, Luke?
LUCAS: Eu
disse...
Lucas empurra Edward e
o garoto cai. Lucas não olha para o garoto e apenas abre o seu armário.
LUCAS: Sai da
frente do meu armário.
Ele pega um livro,
fecha o armário e olha para Edward que se levanta rapidamente.
LUCAS: Agora sai
do meu caminho.
Edward olha para Lucas
e depois encara Harrison e Paris. Ele vai embora gritando:
EDWARD: Nós ainda
não acabamos, ouviu Paris?!
Close-up no rosto de
Paris e Harry vendo Edward desaparecer. Lucas se afasta deles.
PARIS: Lucas!
Lucas para, mas não
olha para trás.
LUCAS: O que foi?
PARIS: Muito
obrigada.
LUCAS: Eu não fiz
isso por você. Ele estava na minha frente, apenas.
Lucas segue o seu
caminho. Close-up no livro que está em sua mão. CAM foca nos olhos de Paris
mirando o livro de Luke.
-corta para:
CENA
8 – FLORENCE HIGH/CORREDORES – DIA.
Harrison
conversando com Paris logo após Edward e Lucas terem ido embora
HARRISON: Pode me
explicar o que foi aquilo?
PARIS: Terminei
com ele no fim de semana. Flagrei ele dando beijos em uma outra garota na
praia.
HARRISON: E o que
você fez?
PARIS: Nada.
Apenas terminei com ele antes que ele abrisse a boca e fizesse o mesmo. Esses
garotos são uns trouxas.
HARRISON: E agora
ele tá correndo atrás de você.
PARIS: Sabe o
ditado, né? As pessoas só sabem o que tem quando perdem.
HARRISON: Acho que o
Edward perdeu uma fortuna.
PARIS: Que ele
não vai mais recuperar.
HARRISON: Mas vai
ficar assim? Ele te perseguindo pelos cantos e perturbando a sua paz?
PARIS: Eu dou um
jeito nele depois. Tô cheia de problemas.
HARRISON: Tá tudo
bem?
PARIS: Só tô
preocupada. Eu não me inscrevi pro vestibular do curso de direito da Florence
University e ontem foi o último dia.
HARRISON: Você disse
que não iria se inscrever.
PARIS:
Exatamente, mas agora eu estou preocupada em como lidar com as consequências da
minha escolha.
HARRISON: Digamos
que você não teve outra escolha, teve?
PARIS: Nenhuma.
Minha mãe iria me destruir totalmente se eu entrasse pro curso de teatro, então
eis a minha saída.
HARRISON: Lidar com
as consequências vai ser mais fácil do que desperdiçar o seu tempo fazendo algo
que não gosta. Não se preocupe com isso. Vai dar tudo certo.
PARIS: Vou tentar
manter a minha cabeça no lugar. Mas agora com essa do Edward, eu não sei se consigo... E você viu o Lucas?
HARRISON: Sim. Isso
foi assustador, mas eu fiquei com vontade de rir quando o seu ex saiu correndo.
PARIS: Quem diria
que Luke faria algo assim.
HARRISON: Porque o
Edward estava no caminho dele, né?
PARIS: Sério?
Você acreditou mesmo naquilo? Não olhou o livro que ele pegou? Álgebra. Nós
alunos do último ano não temos aulas de álgebra nas quartas.
HARRISON: Que
observadora!
PARIS: Você ainda
não viu nada. Eu fiquei muito feliz, agora. Que evolução... Ele tá andando com
você? Peraí! Olha só pra esse rosto cheio de curativos. Não acredito que ele já
te espancou no primeiro dia de voluntariado.
Harrison sorri. O sinal toca.
HARRISON: Não vai
querer saber o que aconteceu.
PARIS: Não quero
mesmo, não agora... tô atrasada.
Paris dá um beijo no rosto de Harrison.
PARIS:
Tchauzinho.
HARRISON:
Tchau.
-corta
para:
CENA 9 – INT. CASA DOS PARKER/QUARTO DE HARRY –
NOITE
Harrison
conversando com Alexia pelo computador.
HARRISON: Eu o
beijei!
ALEXIA: Ai meu
Deus! Vocês se beijaram! Que lindo. Sabia que não ia demorar pra você temperar
o garoto e degustar.
HARRISON: Não, você
não entendeu. Eu que o beijei. Foi quase que na base da força. Passou um monte
de coisas pelo meu subconsciente. Eu acho que tô perturbado... Não acredito que
fiz algo assim.
ALEXIA: Ai amigo,
para com isso. O que tá feito, tá feito. O importante é que você obteve as
respostas para as suas perguntas.
HARRISON: Na
verdade, não. Só ganhei mais perguntas do que antes. Tô confuso. Esse cara me
deixou confuso... Ele despertou uma curiosidade que ninguém nunca me despertou
antes.
ALEXIA: Nem mesmo
o...
HARRISON: Ninguém. É
algo diferente. Algo místico. Não são só palavras... São a realidade.
-corta
para:
CENA 10 – EXT. FLORENCE HIGH – TARDE
[FLASHBACK
IN]
Os alunos de Florence High estão no
campus fazendo um pequeno movimento de apoio a comunidade adolescente LGBT. Harrison
observando os discursos de alguns jovens. Luke se aproxima do garoto.
LUCAS: Belo
movimento, né?
Harrison o observa, atônito.
HARRISON: Sim.
LUCAS:
A
propósito, desculpe pelos ferimentos que eu causei... Isso aí tá feio, hein?
Harry sorri.
HARRISON: Pensei que
você também não pedisse desculpas a qualquer coisa que aparece de repente por
aí.
LUCAS: Você é
aquilo que as pessoas chamam de... Como é mesmo? Ah, sim! Exceção...
HARRISON: Nossa,
pois então permita que a exceção aqui te peça desculpas também pelos... Socos?
Parece que não surtiram efeito. Seu está rosto está intacto.
Lucas dá de ombros e continua observando o movimento.
HARRISON: Espero que
aquele... Beijo também não tenha surtido efeito.
Harrison desvia o olhar de Luke enquanto o rapaz olha seriamente para
ele.
LUCAS: Você é
estranho.
[FLASHBACK OUT]
-corta
para:
CENA 11 – INT. CASA DOS PARKER/QUARTO DE HARRY
– NOITE.
CONT. Harrison e Alexia conversando.
ALEXIA: Eu não
acredito, viado! Como é que você diz na cara do boy que espera que o beijo não
tenha surtido efeito?! Miga, sua louca! Eu não posso crer que você fez uma
coisa dessas. Tu é a vergonha da classe.
HARRISON: Alexia! Queria
que eu tivesse dito o quê? Que eu estava doido pra ele ter ficado na minha? Tá
maluca?
ALEXIA: E não era
essa a finalidade do beijo?
HARRISON: Cara, eu
forcei ele a me beijar. Nem sei por que o beijei. Meus pensamentos estão todos
bagunçados.
ALEXIA: Mas que tu
vacilou bonito, tu vacilou, viu? Se você o beijou é porque tá muito afim dele.
O garoto se aproximou de você, Harry. Obviamente ele curtiu o teu beijo.
Alexia balança a tela do computador.
ALEXIA: Essa
história de que ele é doido e alone
não cola, meu filho. Quando o assunto é homem, beijo e pegação, não tem ninguém
doido ou antissocial.
HARRISON: Ele se
aproximou porque viu a minha cara toda vermelha e enfeitada de curativos. Foi
pedir desculpas, apenas, tá?
ALEXIA: Para de se
enganar.
HARRISON: Você que
tem que parar de se enganar. Se ilude com tudo o que eu conto pra você. Não te
falo mais nada, também.
ALEXIA: Ah, fala
sim. Eu sempre serei o seu potinho de nutella. Você desabafa enquanto me
saboreia.
HARRISON: Pensando
seriamente em cortar chocolate da minha alimentação.
ALEXIA: Se me cortar,
vai ficar desabafando só com a sua [assumindo um sotaque francês] Eau de Toillete... Paris.
Harrison sorri.
HARRISON: Já
implicou com a garota.
ALEXIA: Cala essa
boca que eu impliquei nada. Você nem sabe o que é implicar. Aliás você não tá
sabendo nem discernir quando um boy
tá na sua ou não.
Harrison
coloca seu dedo mediano em frente a web cam.
ALEXIA: Vai, me
fala dela.
HARRISON: A Paris é
um ser humano gentil. Me apresentou tudo o que eu tenho que saber sobre a
escola e os alunos. Ela é muito querida por todos e está comigo a maior parte
do tempo. Gente boa.
ALEXIA: E o que
ela diz sobre o Lucas?
HARRISON: Ninguém se
dá bem com ele, tá? Hoje rolou algo bastante engraçado. A Paris tem um
ex-namorado lá da escola que ainda não aceitou o fim do relacionamento.
ALEXIA: Homem mania
de apego é um porre.
HARRISON: Sim. Ele
veio perturbar ela e eu entrei no meio do fogo, mas o cara me empurrou.
Acredita que o Lucas apareceu e mandou ele sair da frente?
ALEXIA: Por quê?
HARRISON: Lucas
disse que o garoto tava na frente do armário dele. Ele queria pegar um livro e
colocou o cara pra correr, mas tudo não passou de uma mentira. Ele fez isso pra
defender a Paris.
ALEXIA: Defender?
Não é ele que coloca todo mundo pra chorar na sua escola?
HARRISON: Eu também quero
entender. Ele não parecia ser o mesmo de ontem. O cara assustador que me
arrebentou defendeu uma garota.
ALEXIA: Assustador
e sensual. Quero saber se ele é assim na hora dos amassos.
HARRISON: A qual
tipo de amasso você se refere?
ALEXIA: Com certeza
não é o tipo que está estampado na sua cara com curativos, boy.
Eles dão gargalhadas.
-corta
para:
CENA
12 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN/QUARTO DE LUCAS – NOITE.
Lucas na
sala de música, tocando piano por meio minuto na cena. Ele para e se lembra de
Harrison.
[FLASHBACK
IN]
Harrison por cima de Lucas, com o rosto próximo ao dele e quando vai
lhe dar um soco, ele para. Close-up nos olhos de Harrison mirando os olhos de
Luke.
HARRISON: Por que não esquece o que aconteceu com você
hoje e se permite um amanhã diferente?
Lucas não diz nada. Harrison o beija. Os
olhos de Luke mudam de cor, voltando ao normal.
[FLASHBACK
OUT]
LUCAS: O que está
havendo com você, Lucas? Um desconhecido não pode mudar o seu jeito de ver o
mundo. Não pode...
Ele olha para o céu.
LUCAS: Eu tenho
que ficar longe desse garoto ou tudo vai se repetir novamente. Será que ele não
percebe que tá se metendo numa roubada?! E por que diabos eu tô pensando nisso
agora?!
-corta para:
CENA
13 – EXT. RUA DESERTA DE FLORENCE – NOITE.
Paris andando pela rua, ela traz consigo uma bolsa e uma sacola com
roupas do teatro. Já está escurecendo. Ela sente que está sendo seguida e tenta
apertar o passo. Edward lhe dá um susto ao aparecer em sua frente.
EDWARD: Oi, gata.
PARIS: O que você
tá fazendo por aqui, Edward?
EDWARD: Eu disse
que a nossa conversa ainda não tinha terminado, não disse?
Close-up em
Paris amedrontada.
CENA
14 – INT. CASA DOS PARKER/QUARTO DE LUCAS – NOITE.
Harrison
entra em seu quarto. Tranca porta e desliga a luz. A luminária de sua mesa
continua ligada. Ele a apaga e vai pra cama. Alguns segundos depois, a
luminária é ligada. Harrison se levanta e percebe que tem alguém sentado em sua
cadeira pressionando o botão da luminária. A cadeira gira e Lana está sentada
nela. Seu olhar analisando Harry da cabeça aos pés. Ele se assusta e tenta
correr até a porta, mas Lana se movimenta tão rápido que na metade do caminho,
ele está caído ao chão com o salto dela machucando suas costas.
LANA: Quietinho
aí, rapaz.
HARRISON: Quem é
você?
Lana levanta Harrison
e o levanta pelo pescoço. Os olhos dela mudam de cor ao ativar sua energia. Ela
fixa o olhar nos olhos de Harry.
LANA: Você não é
o Blue... Ah... O Blue é gay?
HARRISON: Blue? Mas
quem é...
LANA: Fala! Quem
foi o garoto que você beijou?!
HARRISON: C-como
assim?
LANA: Não se
faça de tolo, garoto! Me diz quem você beijou.
HARRISON: Um
garoto... Ele não está aqui.
LANA: Ele é seu
namorado? Cadê ele?
HARRISON: Ele não é
nada pra mim. Pode me colocar no chão, agora, por favor?
Lana solta o garoto.
HARRISON: O que você
quer comigo? Não... O que você quer com o Luke?
LANA: É assim
que chamam o Blue? Ah, claro. Óbvio que ele tem outro nome. Que burra você,
Lana Del Chiaro.
HARRISON: Lana Del...
Você é aquela cantora?
LANA: Del
Chiaro! Não Del Rey. Agora, vem comigo que nós vamos ter uma conversinha.
HARRISON: Quem vai
ter uma conversinha?
LANA: Você e eu,
seu lerdo. Pegue sua jaqueta, vamos dar uma longa volta.
Harrison fica parado
olhando Lana. Ela aponta um canivete em chamas para o garoto.
LANA: Tá
esperando o quê?! Agora!
-corta para:
CENA
15 – EXT. RUA DESERTA DE FLORENCE – NOITE.
Paris tentando
se livrar dos braços de Edward.
PARIS: Me solta,
Edward! Você tá bêbado!
EDWARD: A minha
gatinha tá brava, né? Cadê seu novato agora, hein?
Edward dá beijos no
pescoço da garota e a coloca contra uma parede, passando as mãos em seus seios.
PARIS: Você
enlouqueceu, Ed! Socorro!
Ele coloca a mão na
boca de Paris.
EDWARD: Shh...
Silêncio, gata. Assim você corta o clima.
PARIS: Me solta!
Paris dá uma joelhada
em Edward e corre. Ele se recupera rapidamente e também corre. Ela grita e ele
a alcança.
EDWARD: Pra onde
você pensa que vai?
PARIS: Me deixa
em paz, Edward!
Uma forte luz ilumina
a rua. Uma moto circula ao redor de Edward e Paris. Ela aproveita e corre até a
calçada. O garoto fica tonto e o motoqueiro desce. Ele remove o capacete.
Julian (Jamie Campbell Bower) encara Edward com raiva.
EDWARD: O que você
quer aqui, seu mané?
Julian não diz uma
palavra. Se aproxima do garoto e lhe dá um soco. Edward cai. Julian o chuta
várias e várias vezes, depois o levanta pelo pescoço e lhe dá várias socos no
abdome. Ele o lança contra um muro e depois o pisa.
JULIAN: Isso é pra
você aprender a não abusar de uma mulher novamente. Me entendeu?
Ele aponta uma faca
para o rosto de Edward.
PARIS: Não! Por
favor... Deixa ele.
Julian encara Paris,
volta seu olhar para o garoto ensanguentado no chão e depois para ela
novamente.
JULIAN: Como pode
defendê-lo depois do que ele fez a você?
PARIS: Não estou
defendendo-o. Se continuar a bater nele, vai matá-lo.
JULIAN: É o mínimo
que eu poderia fazer. Mulheres não são propriedades de homens.
PARIS: Pare...
Apenas pare, por favor.
JULIAN: Tudo bem.
Eu vou parar. Fique tranquila.
PARIS: Nem
deveria ter feito isso tudo.
JULIAN: Eu estava
te defendendo. Ele poderia tê-la matado.
PARIS: Mas não
matou. Deixa ele aí... Ehh... Muito obrigada. De verdade, muito obrigada.
JULIAN: Quer que
eu te leve até sua casa?
PARIS: Acho que
não precisa. Essas coisas são raras de acontecer aqui na cidade. Ele é meu
ex-namorado e...
JULIAN: Entendo,
mas eu vou te escoltar mesmo assim.
Paris fica perplexa ao
ouvir aquilo.
PARIS: Okay.
JULIAN: Eu me chamo Julian.
Efeito e Letreiro com
nome do personagem: JULIAN. Ela recolhe suas
coisas do chão e Julian a observa. Close-up nos olhos do rapaz.
CENA 16 – EXT. FLORENCE BEACH – NOITE.
Lana e
Harrison andam pela praia. Eles estão conversando sobre Lucas. Harry está
sentindo muito frio, mas Lana não demonstra sensação alguma.
HARRISON: Espera aí,
deixa eu compreender melhor isso tudo. Você está atrás do Lucas porque ele tem
uma energia misteriosa dentro dele...
LANA: Você é
lerdo mesmo, viu?
HARRISON: Desculpe. É
muita coisa pra eu raciocinar, não acha?
LANA: Eu vou te
explicar tudo desde o começo. Aconteceu há décadas...
A cena apaga com um
flash enquanto Lana narra o que aconteceu. VOICE OVER em itálico.
LANA: Em algum lugar na Europa, havia uma família de
magnatas. A família Lazúli. Detentores de grande poder político e financeiro.
Era uma verdadeira máfia integrada por homens e mulheres. Ela dominava o lugar
e tinha todos comendo na palma de sua mão.
Homens e mulheres
vestindo ternos e belos vestidos pretos. Uma festa. Eles bebem vinho e se
divertem nos jardins de um enorme castelo antigo. Homens dão gargalhadas de
algum fato relacionado aos seus crimes. Mulheres elogiam umas às outras e
saboreiam deliciosos doces exóticos.
LANA: Os Lazúli tinham como braço direito uma
família, os Del Chiaro. Era a mais rica e influente da região depois deles.
Um grupo de homens e
mulheres vestindo ternos brancos e vestidos floridos representando a fama dos
Del Chiaro em possuir enormes campos dos mais variados tipos de flores e
árvores frutíferas. Eles se divertem junto aos Lazúli, bebendo e conversando.
LANA: Os Del Chiaro encobriam algumas maldades dos
Lazúli. Poder estava em jogo. O que poucos sabiam era que a família Lazúli para
se manter no poder era capaz de coisas sombrias.
HARRISON: Que coisas sombrias?
LANA: Eles cultuavam uma poderosa entidade chamada
Ingsad. Pediram-lhe força e habilidade com as armas. Ela lhes proporcionou uma
energia triunfante sobre qualquer outra na terra.
Os membros da família
andando na escuridão da noite com os braços cobertos por uma aura azul.
LANA: Tudo o que eles precisavam fazer era se
alimentar de tristeza humana para manter aquela força espiritual viva dentro de
cada um. Assim foi feito. Os Lazúli saíam pelas cidades causando o terror e a
tristeza no olhar de outras famílias. Eles consumiam o sentimento mais doloroso
para fortalecer suas energias tanto físicas como mentais e espirituais.
Homens e mulheres da
Lazúli matando pessoas com os seus braços em chamas. As vítimas apavoradas
choram e correm enquanto eles destroem tudo ao redor. Em um jardim, um garoto e
uma garota se beijam.
LANA: Tudo estava sobre controle até que Lion, filho
mais novo da primeira ramificação Lazúli apaixonou-se pela doce e frágil
Selene, filha mais nova dos Del Chiaro. Eles se encontravam com frequência até
que o garoto percebeu algo diferente na jovem.
HARRISON: O quê? O que ele viu?
LANA: Selene possuía uma tristeza diferente no
olhar. Algo em que resplandecia uma energia serena e avassaladora. Ela era uma
alma inocente e triste, mas não era uma tristeza qualquer... Ela sentia de
coração a melancolia mundana. A dor que o próximo sentia. A dor que o mundo
carregava. Fome, ganância, ódio, guerras... Morte. Selene tinha uma alma pura e
uma tristeza que despertou a sede dos Lazúli.
A garota chorando em um jardim nos braços de
seu amado, Lion. Uma energia azul emanando de seu corpo e Lion a absorvendo.
LANA: Nem mesmo o Lion era capaz de resistir a tal
poder. Ele se alimentava da tristeza dela. Não demorou muito a família dele já
estava consumindo toda a tristeza liberada por Selene. Ela caiu em depressão
porque quanto mais eles se alimentavam, mais ela se dirigia a um abismo. Lion
conseguiu se livrar da sede pela energia de Selene. Tentou reanimá-la, trazer
seu amor de volta, mas ela ficava cada vez pior.
Selene caída no jardim
de sua casa. Lion e os Del Chiaro correm e rodeiam o corpo. Ela está morta.
Eles entram em desespero.
LANA: Selene morreu. Os Lazúli pensavam que iriam
continuar com suas vidas felizes. Esqueceram apenas de um pobre coração
quebrado... Lion, entristecido e revoltado, contou aos Del Chiaro o segredo de
sua família e que por causa dela, Selene havia morrido.
O patriarca da família
chora diante do corpo da filha e fica enfurecido. Ele agarra Lion pelo pescoço.
LANA: O patriarca Del Chiaro enfurecido resolveu se
vingar dos Lazúli, matando o herdeiro mais novo deles, mas quando tocou em
Lion, o garoto lhe derrubou com o seu braço em chamas. Lion seria morto então
tentou matar todos os que estavam ali no jardim. No entanto, algo incrível
aconteceu e o corpo de Selene cobriu-se de chamas vermelhas e rosas. A energia
tocou cada um dos membros da família. O poder dos Lazúli havia matado a única
inocente capaz de gerar um poder ainda maior, capaz de destruir a energia
maligna daquela família. A aura cobriu até o próprio Lion. Selene libertou o
amado da maldição da Lazúli. As chamas vermelhas representando a destruição da
tristeza mesclada com as chamas rosas representando a serenidade daquela gentil
alma. A tristeza originou a esperança. É isso o que nos mantém forte. Somos
capazes de tirar da tristeza uma faísca de luz e a partir dessa luz conseguimos
destruir a própria tristeza.
Um grupo da família Del Chiaro com
os braços em chamas vermelhas e um grupo da família Lazúli com os braços
cobertos por chamas azuis. Eles se enfrentam.
LANA: Os Del Chiaro se uniram e resolveram declarar
guerra aos Lazúli. Eles viveriam para isso pelo resto de suas vidas. A primeira
guerra foi sangrenta com muitas baixas dos dois lados. Os Del Chiaro e os
Lazúli usaram seus poderes para treinar aliados, ensinando-os suas técnicas. Tudo
passou de geração para geração, inclusive o ódio de uma família pela outra.
Desde então os Del Chiaro decidiram que quando encontrassem membros da família
Lazúli em qualquer parte do mundo, iriam matá-los. Eles lutariam contra a
tristeza até dizimá-la por completo.
CENA
17 – EXT. FLORENCE BEACH - NOITE
Recuperação
da cena 15. Lana e Harrison na praia.
HARRISON: Quer dizer
que os Lazúli ainda estão soltos por aí?
LANA: Sim, mas
em pequena quantidade. Eles continuam se alimentando da tristeza humana e
entrando em nosso caminho. Estão atrás dele... Blue ou melhor... Lucas é
herdeiro das duas famílias. Uma união proibida que foi tirada dos dois lados e
perdida no mundo
HARRISON: O que vai
acontecer a ele?
LANA: Eu não
sei. O meu mestre morreu. Damian era irmão da mãe do Lucas. Ele me incluiu em
uma missão para protegê-lo, mas eu não sei o que devo fazer.
Lana olha para o vazio,
preocupada.
LANA: Os Del
Chiaro ordenaram que ele deve ser morto. Os Lazúli estão a procura dele para
consumir seu poder oculto e se já o encontraram, devem estar armando alguma
coisa.
HARRISON: E o que
você acha que podemos fazer agora?
LANA: Podemos? Acha
mesmo que eu vou incluir você nisso?
HARRISON: Se não vai
me incluir, por que me trouxe aqui?
LANA: Pensei que
você não fosse acreditar em uma só palavra do que eu disse. Só te chamei pra
arrancar informações necessárias.
HARRISON: Como eu
não acreditaria depois de você me apontar um canivete pegando fogo? E eu sei de
muita coisa...
Harrison se lembra
da conversa com Paris.
[FLASHBACK
IN]
PARIS: Lucas Morrison é o seu nome. Todo mundo chama
ele de Luke, mas ele não chama por ninguém. De santo só tem a cara, viu? Mais
da metade da escola o odeia.
Harrison se surpreende e sorri.
HARRISON: Engraçado.
PARIS: Não tem nada de engraçado com ele. É sério. Só
pra você ter noção, o Lucas não faz trabalho em equipe. Da última vez que um
professor tentou forçá-lo, ele quebrou uma mesa com a mão.
[FLASHBACK
OUT]
HARRISON: O Lucas
não merece isso...
LANA: O quê?
HARRISON: Sofrer
mais. Ele já amou duas vezes... Dois rapazes e ambos se suicidaram. Ele se
afastou de tudo e todos e agora anda por aí amargurado.
Lana olha minuciosamente para Harrison.
LANA: Suicídio?
Muito estranho. Isso confirma as minhas suspeitas. Os Lazúli estão em ação.
HARRISON: Como
assim? Você acha que eles estão por aqui esse tempo todo atormentando a vida do
Lucas?
Lana faz que sim com a
cabeça.
LANA: Agora me
fala... Se você não é namorado dele, o que você é? Eu sei que você o beijou.
HARRISON: Eu não sei
o que eu sou pra ele. Eu não sei o que ele significa pra mim. Essa sensação é
esquisita. Eu o beijei e eu não consigo explicar.
LANA: Ele gosta
de você?
HARRISON: Não. Nós
nos conhecemos não tem nem três dias.
LANA: Se ele
sentir algo por você... Saiba que você será o próximo.
HARRISON: O próximo?
LANA: Se eu
estiver certa, os Lazúli vão acabar com você da mesma forma que fizeram com os
outros dois garotos que ele amava. Eles querem despertar o lado mais triste e
obscuro do Lucas, nem que pra isso tenham que matar as pessoas que ele ama.
HARRISON: Mas...
LANA: Isso se
você tiver vínculos com o Lucas. Quer viver assim? Quer entrar nessa história e
colocar sua vida em risco?
HARRISON: Eu só
quero lutar por ele. Não sei o que fazer pra te ajudar, mas não vou sair da
vida do Luke, agora.
LANA: Não tenho
ninguém ao meu lado por enquanto. Eu estou perdida. Consigo entender os seus
sentimentos. Você tá perdido, Harrison. Vai estar mais perdido ainda caso se
envolva numa guerra assim.
HARRISON: Já disse o
que eu tinha pra dizer. É a minha visão das coisas.
LANA: O mais
engraçado é que a sua presença e o seu beijo modificou a energia dele. Você
ainda conseguiu absorvê-la com um beijo. É mais perigoso do que eu pensei. Nem
conheço você.
HARRISON: Mais um
motivo pra eu não sair dessa história. Eu também não conheço você. Vou ficar e
vou protegê-lo, sim.
LANA: Como pode
querer lutar por alguém que você mesmo diz aparentar ser uma péssima pessoa?
HARRISON: Porque ele
aparenta, mas não é uma má pessoa. Eu tenho os meus motivos. Ele é um ser
humano e não merece passar por tanta dor.
Lana para de andar.
LANA: Eu não vou
te contrariar. (sorri) Você me forneceu muitas informações e está trabalhando
no orfanato junto ao Lucas, o que é muito bom já que pode ficar de olho nele
por lá. Só que não estamos lidando com crianças do orfanato. Os Lazúli não vão
parar.
HARRISON: Pois é
melhor que saibam que nós também não.
LANA: Está
comigo, Harrison?
HARRISON: Você me
procurou. Eu estou.
Lana sorri.
[TELA
PRETA]
[FIM
DO EPISÓDIO]
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