terça-feira, 15 de março de 2016

EPISÓDIO 1X2: I DON'T WANNA FEEL BLUE ANYMORE

BLUE

EPISÓDIO 1X2: I DON'T WANNA FEEL BLUE ANYMORE
ESCRITO POR RAUL ORIHARA





CENA 1 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN – DIA


   ÂNGULO ALTO: Lucas está dormindo profundamente em sua cama. Parados a porta do quarto estão a diretora e um médico.

DIRETORA: Espero que ele melhore, doutor.

MÉDICO: O efeito irá durar até o meio-dia, mas provavelmente ele já estará calmo a tarde. Talvez nem se lembre do que aconteceu.

DIRETORA: Eu espero que ele lembre. Assim será mais cuidadoso ao tomar os seus remédios.

MÉDICO: Por enquanto vamos continuar usando o mesmo medicamento. Eu apenas aumentei a dosagem. A senhora ficará encarregada de ver se ele está tomando tudo certinho.

DIRETORA: Não se preocupe. Vou ficar de olho.

   Eles saem do quarto. Close-up no rosto de Luke.


-corta para:



CENA 2 – INT. FLORENCE HIGH – DIA

  Os corredores estão silenciosos. Os alunos preferem ficar aos cochichos falando sobre a falsa internação de Lucas Morrison. Andando lentamente pelo corredor, Harrison e Paris conversam sobre o ocorrido.

PARIS: A escola toda não fala em outra coisa. Eu vou acabar sendo levada para uma clínica psiquiátrica também. Ninguém merece.

HARRISON: Foi tão grave assim?

PARIS: Pelo que estão dizendo, sim. Disseram que ele jogou uma das irmãs do orfanato contra a parede enquanto dormia. Depois teve uma espécie de ataque epilético e foi levado pro hospital. Ela jura que ele estava acordadinho da silva, mas eu tenho lá as minhas dúvidas.

HARRISON: Tudo pode acontecer quando se trata do Lucas, não é?

PARIS: Sim... Agora ele está calmíssimo. Deram-lhe um medicamento que foi tiro e queda.

     Paris abre a porta da sala de aula. Eles entram. Harrison olha para os fundos esperançoso na presença de Lucas.

HARRISON: Santa Farmacêutica.

PARIS: Santa mesmo. Eu só queria o nome desse remédio para usá-lo na minha mãe quando eu contar que eu não vou pra universidade ano que vem.

    Eles se sentam. Harrison fica pasmo.

HARRISON: Não vai para a universidade por quê?

PARIS: O meu sonho é ser uma grande atriz. Eu fiz cursos básicos de teatro, faço parte do clube de teatro da escola. Amo cinema e televisão.

HARRISON: E por que não entrar em uma universidade de teatro para ampliar os seus conhecimentos?

PARIS: Aí é que tá o problema. Minha mãe jamais aceitaria que eu cursasse teatro na faculdade. Ela quer que eu me torne uma excelente advogada. Cá entre nós, eu estou mais para uma Elle Woods do que para uma Annelise Keating.

HARRISON: Você se daria bem como uma Elle Woods.

PARIS: Eu acho que não. (sorri) Aqui em Florence há um monte de contatos e eu não vou precisar de uma universidade. Por isso eu decidi não ir pra lugar algum ano que vem. Que tal?

     Harrison dá uma gargalhada.

HARRISON: Engraçado, porém fico em dúvida se isso é inteligente.

PARIS: Inteligentíssimo.



                                                  -corta para:


CENA 3 – INT. CASARÃO ABANDONADO NUM BOSQUE – DIA.


   Um salão antigo cheio de móveis cobertos por lençóis empoeirados. Adolph, Inverno e Elizabeth estão reunidos discutindo sobre Lucas.

ADOLPH: A energia do garoto adormeceu.

INVERNO: Não há vestígio algum de energia, o que pode ter acontecido ao nosso menino?

ADOLPH: Não sei.

ELIZABETH: É óbvio que o doparam. Ele foi levado para o hospital ontem à noite. Devem ter injetado algo.

INVERNO: Ele está sendo medicado? Isso pode ser um problema pra gente.

ADOLPH: Precisamos tomar providências urgentemente.

INVERNO: Uma invasão ao orfanato cairia bem.

ELIZABETH: Jamais! Está louco? Isso despertaria a atenção da família Del Chiaro. Não sabemos se há alguma escolta por aí.

ADOLPH: Eles não sabem onde o garoto está... Um fato. Estamos um passo à frente.

INVERNO: Vocês dizem isso há dois anos! Malditos dois anos em que estamos tentando despertar a suprema energia desse moleque!

ADOLPH: É necessário paciência para se obter êxito, Se você não aguenta mais esperar após longos dois anos, então não és digno de desfrutar de tal poder.

ELIZABETH: Adolph tem razão. Precisamos ser pacientes. Apesar do garoto não facilitar. Dependemos de pesadelos e alucinações que nos fazem enfraquecer para poder deixá-lo liberto.

ADOLPH: Ele recusa ter novos laços. Aprendeu a lidar com a tristeza e a solidão facilmente.

ELIZABETH: As perdas, nossas maiores armas, já não há mais espaço para elas por causa disso.

ADOLPH: Acabamos com a vida das pessoas que ele mais amava, esperando obter algum resultado, mas ele fica cada vez mais resistente e furioso.

ELIZABETH: No entanto, ainda temos métodos que funcionam. Não vamos invadir a merda daquele orfanato com nossas técnicas, apavorando dezenas de pessoas, chamando a atenção dos nossos inimigos...

ADOLPH: E botando tudo a perder.

INVERNO: Mas seria a melhor forma de despertar totalmente a energia azul dele.

ELIZABETH: Seu plano está fora de cogitação. Lucas pode morar ali, mas não demonstra ter vínculos emocionais com o lugar a ponto de entrar em depressão profunda.

INVERNO: Mas ele já perdeu duas pessoas e se culpa. Imagina perder o seu lar?

ADOLPH: Qual parte do “Não vamos invadir a merda daquele orfanato” você não entendeu?

ELIZABETH: Vamos enlouquecê-lo com pesadelos. Continuaremos assim.


-corta para:


CENA 4. QUARTO DE HOTEL – DIA


    Lana está ao lado de Damian que por sua vez está em sua cama delirando de febre. Ela coloca um lenço úmido em seu rosto, enxugando o suor.

LANA: Mestre, você precisa ir a um hospital.

DAMIAN: Eu não vou a lugar algum. Não vê que isso foi efeito da minha técnica?

LANA: Claro que eu vi! E avisei que não deveria ter feito aquilo. A sua saúde anda uma calamidade há meses. Eu me submeti às suas ordens por causa da sua condição, Damian.

DAMIAN: Sei das suas boas intenções, Lana, mas eu precisava rastrear o rapaz.

LANA: Me diga! O senhor chegou a algum lugar com isso? Obviamente não, né?

DAMIAN: Eu consegui rastrear...

      Ele tosse por uns segundos.

LANA: É melhor você repousar. Depois conversaremos sobre isso. Agora não se mexa que eu vou tentar lhe transferir energia.

    Lana coloca as mãos sobre o tórax de Damian. Uma forte luz de cor rosa é emitida através de seus dedos. Ela pressiona as mãos, massageando o corpo dele e Damian começa a tossir. Close-up no rosto de Lana, preocupada.


[ABERTURA]








CENA 5 – INT. FLORENCE HIGH – DIA

[MÚSICA TOCANDO: Alento – Marcelo Jeneci]



Planos gerais da cidade. Vista aérea do colégio Florence. Os alunos estão na quadra praticando educação física. Paris e Harrison estão correndo ao redor da quadra. Os dois continuam conversando sobre Luke.

PARIS: Não tô acreditando que você foi parar naquele lugar!

HARRISON: Sério, pode acreditar. Eu levei um susto quando entrei na sala de música e me deparei com o cara tocando piano e muito bem, por sinal.

PARIS: Quem olha você dizendo isso até parece que ele é um anjinho.

HARRISON: Eu pensei que ele fosse um anjinho ali.
PARIS: (gargalhando) HAHAHA! Seria meigo se a gente não conhecesse o bad boy.

HARRISON: Eu achei... (sorri) Ah! Fofo.

     Paris para de correr, coloca as mãos na cintura e olha para o rapaz, perplexa.

PARIS: Harrison, você é gay?

     Harrison para e dá uma gargalhada. Ele toca no ombro de Paris e faz que sim com a cabeça.

PARIS: Não creio! Ai meu Deus!

HARRISON: Sim. Por que acha que eu me interessei tanto no Lucas? Ele tem um jeito todo durão e isso me atraiu de cara. Sem contar todas as outras qualidades.

PARIS: Cara, você se deixou cegar pelo garoto mais temido da escola. Eu estou no chão!

HARRISON: Ei, qual é? Cegar já é demais. Foi só uma curiosidade. Coisa boba.

PARIS: Ainda bem que sabe disso. Luke não é garoto pra você. Não que eu saiba qual seja o seu tipo de garoto. Mas pelo que eu já sei, você é um cara legal e não merece perder tempo com alguém como ele.

HARRISON: Eu sei muito bem, Paris. O Lucas mal consegue olhar pra gente como ser humano, quanto mais conversar.

PARIS: Eu não te culpo. Lembro do quão encantador ele já foi. Deve ter restado algum vestígio de doçura nele pra você ter ficado curioso.

HARRISON: Se ele fosse mais aberto, eu até tentaria.

PARIS: E como vão ficar as coisas agora que você tá trabalhando no orfanato junto com ele?

HARRISON: Não sei. Nem quero imaginar. Desconheço tudo o que ele possa fazer comigo ali tão próximo.

PARIS: Não espere por um beijo. O mais próximo que a sua boca vai chegar do Lucas é quando ele te der um soco.

HARRISON: Eu confesso que estou ficando com medo.



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CENA 6 – INT. FLORENCE HIGH – DIA


[MÚSICA TOCANDO: Pumped Up Kicks - Foster the People]



[FLASHBACK IN]


Lucas está no corredor erguendo um garoto pelo pescoço contra a parede. Ele dá socos na barriga do rapaz.

LUCAS: Então o que você aprendeu hoje?!

GAROTO: Eu vou ficar longe de você!

LUCAS: Eu não ouvi.

    O garoto tosse e fala em voz alta.

GAROTO: Eu vou ficar longe de você, Lucas!

LUCAS: Isso mesmo. Bem longe! Nada de respirar perto de mim e se eu sonhar que você anda me bisbilhotando pelos cantos, eu vou marcar a sua cara com ferro quente.

   Luke dá outro soco no garoto e o solta. O rapaz rasteja pelo chão. Close-up numa CÂMERA DIGITAL no chão. O garoto tenta pegar o objeto, mas Lucas pisa na mão dele. Ele grita de dor. Luke recolhe a câmera.

LUCAS: Isto aqui vai ficar comigo! A não ser que você queira que eu acabe com a tua vida.

GAROTO: N-não... Não se preocupe, Luke.

LUCAS: Sai da minha frente, agora!

   O garoto sai correndo e Lucas o observa. Ele volta o seu olhar para a câmera em sua mão, ligando-a. Analisa cada foto registrada. Numa das fotos, Luke está com os olhos azuis. Ele se espanta ao ver a imagem.


[FLASHBACK OUT]

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CENA 7 – INT. QUARTO DE HOTEL – TARDE

Lana continua cuidando de Damian. Suas mãos estão cobertas por chamas vermelhas e rosadas. Seus olhos mergulhados numa intensa cor carmim. O rosto tão molhado de suor quanto o rosto de Damian. Ele continua delirando de febre. Os olhos se abrindo e cerrando em intervalos curtos.

LANA: Resista! Tenha força, Damian, por favor!

     As mãos de Lana tremem.


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CENA 8 – INT. FLORENCE HIGH/AUDITÓRIO - TARDE
  
 Paris está conversando com uma garota na escuridão da enorme sala.

PARIS: Você não vai acreditar... Ele é um idiota mesmo. Confia demais num amor que nunca existirá.

GAROTA: Tolo. Uma ameaça.

PARIS: Fique tranquila, eu vou matá-lo. Ele não vai continuar com essa palhaçada e arruinar os nossos planos.

GAROTA: O que você tem em mente?

PARIS: Ele é um forasteiro... Não sabe de nada do que acontece em nossa cidade... Os segredos... As nossas armadilhas. Vai ser fácil tirá-lo do caminho.

GAROTA: Eu gosto quando você fala assim, querida. É tão voraz. Dá medo e eu gosto quando pessoas que trabalham pra mim dão medo.

PARIS: Senhora, eu me aproximei muito dele. Ele não me vê com medo. Ele me considera sua nova melhor amiga. Sabe... As coisas são mais divertidas quando ninguém sabe quem é quem na história.

GAROTA: Só vou lhe dizer uma coisa, seja breve... Seja breve e mate-o, Paris.

PARIS: Já disse pra ficar tranquila, pois...

    As luzes do palco se acendem. A professora de teatro grita e se aproxima das duas no palco.

PROFESSORA: As duas ficaram ótimas, mas Melanie, você tem que lembrar que está falando com sua subordinada, Ruby e não com a Paris. Entre na personagem com tudo e seja mais cautelosa da próxima vez.

MELANIE: Sim, professora. Me desculpe, eu fiquei eufórica.

PROFESSORA: Tudo bem, querida... E o que eu posso dizer de você, Paris?

PARIS: Eu fiquei nervosa.

PROFESSORA: Que nervosa radiante. Eu quero mais desse nervosismo hoje. Você fica para ensaiarmos mais um pouco com a outra turma. Se não for interferir na sua outra aula, claro.

PARIS: Sério? (sorri) Eu fico sim. Não vou assistir mais aula alguma... Quer dizer, vou assistir mais uma aula sua e ensaiar...

PROFESSORA: Sim, sim. Eu entendi. Controle-se.

PARIS: Não tem como. Obrigada!

   Ela pula de alegria.


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CENA 9 – INT. CASA DA PARIS – TARDE

Paris abre a porta de casa e entra silenciosamente. A mochila em suas costas e um guarda-chuva. Ela avança um corredor e entra na sala de jantar onde sua mãe, BEATRICE (Angela Bassett) está sentada a mesa, sozinha. Ela bate os pés no chão com impaciência e fúria.

PARIS: Oi, mãe?

BEATRICE: Ah... “Oi, mãe?”. Você acha isso lindo? Por onde você esteve, Paris?!

PARIS: Na aula... Me desculpe, eu ia avisar, mas o meu celular descarregou.

BEATRICE: Na aula de teatro?

PARIS: S-sim.

BEATRICE: Na maldita aula de teatro! Sobre o que nós conversamos, Paris? Tá lembrada? Eu avisei a você para estar aqui às três em ponto. O seu foco principal é a advocacia juntamente com o compromisso familiar acima de qualquer outra coisa!

PARIS: Eu não... Desculpe, eu não queria tê-la feito esperar.

BEATRICE: Não queria. Se não queria, tudo o que deveria ter feito era ter vindo para casa. Avisei que seria importante. Disse aos meus amigos que você é uma garota responsável... O que devem estar pensando sobre nós duas agora?

PARIS: Mãe, eu sei que eu errei, mas foi apenas uma reunião. Eles vão entender que eu tenho outras prioridades.

BEATRICE: Teatro não é a sua prioridade. Estar aqui para conhecer alguns dos membros mais importantes da área de direito de Florence, sim!

      Paris fica calada diante da situação.

BEATRICE: Falei muito bem sobre você. Ficaram encantados. Seria uma oportunidade única pra você. Está satisfeita, agora? Feliz?!

PARIS: Eu não queria que isso tivesse acontecido.

BEATRICE: Saia da minha frente com os seus “não queria”. Retire-se da minha presença!

    A garota volta ao corredor e sobe as escadas.


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CENA 10 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN - DIA

     Lucas sai do quarto escondido e anda só de pijamas pelos corredores do orfanato. Uma aparência cansada e frágil. Ele percebe a presença de Harrison e da diretora se aproximando. Luke se esconde atrás de um pilar.

HARRISON: Eu vou ficar na sala de música, hoje?

DIRETORA: Sim. O Lucas vai precisar ficar em repouso o dia inteiro.

HARRISON: O que realmente aconteceu ontem?

DIRETORA: Não é a primeira vez que isso ocorre. Pode ficar despreocupado. Temos o controle de tudo.

HARRISON: Foi grave? Soube que ele feriu uma das irmãs?

DIRETORA: Olha, Harrison. Eu serei bastante franca com você. Sei que o Lucas parece ser um garoto triste e sem ninguém e sei que você, mesmo não o conhecendo direito, se preocupa, mas ele escolheu ser assim.

HARRISON: Ninguém escolhe ser triste, senhora.

DIRETORA: Não me entenda mal. O Lucas vive da maneira dele. Não vai sair por aí atacando qualquer um, mas também não quer ser incomodado. Eu mesma respeito isso. Queria que fizesse o mesmo.

   Harrison olha para o vazio.

HARRISON: Eu entendo, mas não consigo tirar da cabeça tudo o que a cidade anda falando. Ouvi na escola que ele pode se tornar um perigo para as crianças. Sei que isso é um exagero, mas não tem medo de que alguém tome parte?

DIRETORA: Você não tem que ligar pra tudo o que essas pessoas falam. Lucas é um amor. Apenas quer ficar sozinho e nada mais. Só nos resta respeitá-lo.

HARRISON: Eu o respeito, mas fico preocupado.

DIRETORA: Não tem porquê. (Sorri) Sempre vamos estar aqui por ele. O Luquinhas vai ficar melhor.

     CAM foca em Luke ouvindo a conversa. Uma lágrima escorre do olho do rapaz.


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CENA 11 – INT. QUARTO DE HOTEL – TARDE


Lana continua cuidando de Damian. Ele está dormindo agora. A mulher coloca uma toalha umedecida na testa dele. Ela aparenta estar muito preocupada e procura algo no minibar. Close-up nas mãos de Damian sendo cobertas por chamas vermelhas e rosas. Ele abre os olhos que estão da mesma cor. Damian grita e Lana se aproxima mais uma vez.

LANA: Damian! O que está acontecendo?

DAMIAN: AH! Dói! Eu não vou suportar isso!

     Ela pega nas mãos do mestre e tenta diminuir a energia que está sendo liberada por ele.

LANA: Droga! Tente se acalmar, por favor!

    Damian começa a tremer e se revirar na cama. Lana tenta segurá-lo, mas ele a arremessa contra a janela. Ela se segura na cortina e volta para o quarto. Damian cai da cama e se debate. Lana corre com suas mãos em chamas e o prende pelo pescoço.

LANA: Se acalme. Relaxe ou você...

   Damian passa a mão sobre os olhos de Lana.

LANA: O que você está fazendo, mestre?!

DAMIAN: Blue...

     A energia de Damian cessa.

DAMIAN: A localização... Proteja-o, Lana.

     Damian fecha os olhos. Ele respira por um tempo e morre.

LANA: Não! Você não pode morrer!

   Lana dá tapinhas em Damian esperando que ele reaja.

LANA: Não havia nada sobre isso no nosso plano! Damian! Acorda! Fique vivo, mestre, por favor!

    Ela mergulha a cabeça no peito dele e chora.


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CENA 12 – EXT. AVENIDA PRINCIPAL DE FLORENCE – NOITE.

     Anoitecendo. Vista da cidade. O céu mudando de cor. As luzes artificiais se acendendo. Lucas andando sozinho pela cidade. Harrison o observa de longe e atravessa a avenida.

HARRISON: Ei, Luke!

    Lucas olha para trás e vê Harry. Ele olha para a frente novamente, seguindo seu caminho.

HARRISON: Luke!

   Harrison entra na frente do garoto, parando-o.

LUCAS: É Lucas pra você... Qual é. Cismou em ficar me perseguindo pelos quatro cantos. Primeiro na escola, depois no orfanato e agora na rua.

HARRISON: Lucas, certo. O que está fazendo aqui? Não era para você estar repousando?

LUCAS: O que eu faço ou deixo de fazer não te diz respeito, garoto.

HARRISON: Não conheço muito de você, mas desculpa o meu jeito de me aproximar...

LUCAS: Quê?

HARRISON: É que eu vejo algo que não gosto. Eu não quero que te ver assim tão triste e nem nada do tipo.

LUCAS: Eu só posso ter jogado pedra na cruz. Não! Eu não joguei pedra na cruz, EU fiz a cruz.

HARRISON: Olha, eu não quero parecer chato.

LUCAS: Você não parece chato... Você é chato.

HARRISON: Só estou preocupado... Você também não facilita. Eu só queria que você se tornasse uma pessoa melhor. Nunca lidei com pessoas assim na minha vida.

LUCAS: O que quer dizer com isso? Que eu sou uma pessoa ruim? Que eu tenho que deixar de ser quem eu sou porque você está incomodado?

HARRISON: Não. Não é nada disso. Só não quero te ver assim... Se afastando das outras pessoas. Eu sei tudo o que aconteceu com você e não quero t...

LUCAS: Você não sabe nada. Fica longe de mim!

HARRISON: Eu não consigo. Eu tive uma educação diferente e eu só sei ajudar. Não me vejo fazendo outra coisa e... Me sinto mal vendo você desse jeito. Nós vamos praticamente trabalhar juntos... Eu quero ajudar.

LUCAS: Ótimo, Ringo.

HARRISON: Harrison.

   Lucas puxa Harrison pela gola de sua jaqueta e o levanta próximo ao seu rosto.

LUCAS: Harrison, Ringo... Pouco me importa qual dos Beatles é você. Me faça um favor e ajude a si mesmo, ok? Mas bem longe de mim!

    Luke empurra Harrison.

LUCAS: É o melhor que você tem a fazer.


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CENA 13 – INT. CASA DOS PARKER – NOITE.

   Harrison chega em casa cansado. Enquanto ele sobe a escada, Lúcio aparece embaixo.

LÚCIO: Por que não atendeu as minhas ligações, Harry?
    
Harrison para de subir e olha para o pai.

HARRISON: Eu estava ocupado. Muito trabalho. O celular na mochila, o que houve?

LÚCIO: Ainda pergunta o que houve. Já deu uma olhada no relógio? Já são nove da noite. Você sumiu e não avisou.

HARRISON: Estava ocupado, já disse e depois fui tomar um ar, tá legal? Agradeça já que a minha presença te incomoda.

LÚCIO: Conseguiu novas companhias? É isso?! Mal chegou e já está andando por aí com desconhecidos... Com algum desconhecido?

HARRISON: Quando você era casado com a mamãe e não sabia que eu era gay, era incrível como não tinha tamanha preocupação comigo. Mas agora... Tudo diferente, não é mesmo?

LÚCIO: Você está sob a minha responsabilidade! Deveria entender isso.

HARRISON: Não, pai! Eu estou vivendo nos seus domínios. Os seus limites. A sua cidade. O paraíso que você inventou pra si mesmo e olha quem veio estragar... Sim, eu.

LÚCIO: Como ousa dizer isso?

HARRISON: Realidade. Verdades na sua cara. Eu não sou uma criança.

LÚCIO: Eu não vou discutir com você. Eu sou o seu pai e tenho a última palavra. Já basta.

HARRISON: Você não pode controlar tudo, Lúcio. Fala aí! Tá com medo da ovelha colorida colocar em risco a sua posição de homem sério na sociedade?!

LÚCIO: Você só é uma ameaça se eu quiser.

HARRISON: Só estou aqui porque minha mãe não teve saída e me colocou nesta maldita condição.

LÚCIO: Você nunca vai ter jeito.

HARRISON: Não! Eu nunca terei jeito, não o jeito que você quer que eu tenha. Eu não sou obrigado a aturar os seus ataques a cada vez que eu sair.
    
Os dois se encaram ferozmente. Harrison volta a subir.


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CENA 14 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN/QUARTO DO LUKE – NOITE.


Um quarto de paredes cinzas e uma enorme janela centralizada. Lucas está em pé olhando a rua vazia.

[FLASHBACK IN]

          Lucas escondido observando Harrison e a diretora Bárbara conversando:

HARRISON: Soube que ele feriu uma das irmãs.

DIRETORA: Sei que o Lucas parece ser um garoto triste e sem ninguém e sei que você, mesmo não o conhecendo direito, se preocupa, mas ele escolheu ser assim.

HARRISON: Ninguém escolhe ser triste, senhora.

DIRETORA: Não me entenda mal. O Lucas vive da maneira dele. Não vai sair por aí atacando qualquer um, mas também não quer ser incomodado. Eu mesma respeito isso. Queria que fizesse o mesmo.

HARRISON: Eu entendo, mas não consigo tirar da cabeça tudo o que a cidade anda falando. Ouvi na escola que ele pode se tornar um perigo para as crianças. Sei que isso é um exagero, mas não tem medo de que alguém tome parte?


 
Outro flash: Harrison conversando com Lucas na rua:

HARRISON: Lucas, certo. Não conheço muito de você, mas desculpa o meu jeito de me aproximar...

LUCAS: Quê?

HARRISON: É que eu vejo algo que não gosto. Eu não quero que te ver assim tão triste e nem nada do tipo.


[FLASHBACK OUT]


LUCAS: Eu sou um desperdício de espaço. O que há de errado comigo?

   Ele segue até sua mesa e abre a gaveta, retirando a câmera digital que ele tomou do garoto de sua escola. Ele liga o aparelho e abre a foto em que seus olhos estão azuis.

LUCAS: O que existe além do meu olhar? Por que tudo o que se aproxima de mim se destrói? Eu não entendo mais nada ao meu respeito.

   Luke joga a câmera contra a parede, quebrando-a.

LUCAS: Eu só vivo para machucar as pessoas. Eu sou incapaz de gostar de alguém. Sou um lixo. Tudo o que eu toco se quebra. Não sou um ser humano... Eu sou um objeto que fere.

    Ele pega um livro dentro da gaveta. Fotos de Lucas e Brian, algumas cartas e mais fotos, mas agora com Keegan.

LUCAS: Eu matei vocês dois... O meu amor não foi suficiente. Todas as pessoas desistem de gente como eu. Não vale a pena viver isso que chamam de vida. Eu tenho que ir para um abismo de morte eterna e morrer várias e várias vezes porque viver outra vida não vale a pena. Não pra mim.

    Lucas se ajoelha e depois deita no chão, chorando.

LUCAS: Eu não tenho como ser algo bom. Eu sou uma maldição e toda maldição precisa ser parada. Eu vou pará-la.


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      CENA 15 – INT. CASARÃO ABANDONADO – NOITE.


     ELIZABETH, INVERNO e ADOLPH estão sentados à mesa do jantar. Todos em silêncio. Um vento forte invade o lugar e as enormes janelas de vidro se abrem. Elizabeth (Jenna Dewan) retira sua máscara. Ela sorri. Efeito e Letreiro com nome do personagem: ELIZABETH.

ELIZABETH: Um brinde. Mesmo tão recentes, parece que os efeitos do remédio não vão funcionar. (Sorri)

    Elizabeth leva sua taça de vinho ao alto. ADOLPH (Joseph Gordon Levitt) e INVERNO (Jared Leto) retiram suas máscaras e olham um para o outro, sorrindo. Eles levantam suas taças e brindam. Efeito e Letreiro com nome dos personagens: ADOLPH. INVERNO.

INVERNO: Foi mais rápido do que pensei. Mal vejo a hora de voltar a atormentar o garoto.

ADOLPH: Ele está sofrendo sozinho, que lindo.

ELIZABETH: Sintam a energia azul dele se expandido por toda Florence.

INVERNO: Que poder maravilhoso. Minha pele saboreia o toque renovador da aura de Lucas.

ADOLPH: A minha vontade é me aproximar dele e sugar toda essa energia deliciosa.

ELIZABETH: Calminha aí, rapazes. Só porque ele voltou ao estado que queremos, isso não significa que já está pronto para atacarmos. Vamos com calma!

Eles brindam mais uma vez.


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CENA 16 – SEQUÊNCIA DE CENAS – NOITE


[MÚSICA TOCANDO: Sirens – Tom Odell]




1. Planos gerais da cidade de Florence. Casa dos Parker. A porta do quarto de Harrison aberta. Ele fecha e vai pra frente de um grande espelho. Close-up no olhar dele.

2.  Casa da Paris. Ela está em seu quarto usando o computador e passeando pela página do curso de teatro da universidade. Ela segue até o site de inscrição do vestibular para o curso de direito e cancela o seu pedido. Sorri.

3. Lucas chorando e subindo as escadas de acesso ao topo do prédio. No terraço do orfanato, ele observa as luzes da cidade. A maioria sendo desligada.


4. Quarto do hotel onde Lana está. O corpo de Damian coberto por um edredom. Lana está na janela, chorando e sente uma energia. Close-up nos olhos de Lana. Imagens de olhos azuis sendo refletidos nos olhos dela. Ela tem a visão de um orfanato e ouve alguém chorando. Sai correndo do quarto.

5.  No orfanato novamente, Lucas tomado por uma aura azul ao seu redor, chora e prepara-se para o suicídio. Se aproxima lentamente da proteção e olha para baixo. Fecha os olhos. Ele se joga.


CENA 17 – EXT. RUA DESERTA DE FLORENCE - NOITE


Lana está dirigindo em alta velocidade. Ela tem outra visão. Uma luz azul predomina a cena. A luz cessa e Lana demonstra pânico.

LANA: Meu Deus... A energia dele... Sumiu. 




[TELA PRETA]

[FIM DO EPISÓDIO]







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