BLUE
EPISÓDIO 1X2: I DON'T WANNA FEEL BLUE ANYMORE
ESCRITO POR RAUL ORIHARA
CENA 1 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN –
DIA
ÂNGULO
ALTO: Lucas está dormindo profundamente em sua cama. Parados a porta do quarto
estão a diretora e um médico.
DIRETORA: Espero que
ele melhore, doutor.
MÉDICO: O efeito
irá durar até o meio-dia, mas provavelmente ele já estará calmo a tarde. Talvez
nem se lembre do que aconteceu.
DIRETORA: Eu espero
que ele lembre. Assim será mais cuidadoso ao tomar os seus remédios.
MÉDICO: Por
enquanto vamos continuar usando o mesmo medicamento. Eu apenas aumentei a
dosagem. A senhora ficará encarregada de ver se ele está tomando tudo certinho.
DIRETORA: Não se
preocupe. Vou ficar de olho.
Eles saem do quarto.
Close-up no rosto de Luke.
-corta para:
CENA
2 – INT. FLORENCE HIGH – DIA
Os corredores estão
silenciosos. Os alunos preferem ficar aos cochichos falando sobre a falsa internação
de Lucas Morrison. Andando lentamente pelo corredor, Harrison e Paris conversam
sobre o ocorrido.
PARIS: A escola
toda não fala em outra coisa. Eu vou acabar sendo levada para uma clínica
psiquiátrica também. Ninguém merece.
HARRISON: Foi tão
grave assim?
PARIS: Pelo que
estão dizendo, sim. Disseram que ele jogou uma das irmãs do orfanato contra a
parede enquanto dormia. Depois teve uma espécie de ataque epilético e foi
levado pro hospital. Ela jura que ele estava acordadinho da silva, mas eu tenho
lá as minhas dúvidas.
HARRISON: Tudo pode
acontecer quando se trata do Lucas, não é?
PARIS: Sim...
Agora ele está calmíssimo. Deram-lhe um medicamento que foi tiro e queda.
Paris abre a porta da
sala de aula. Eles entram. Harrison olha para os fundos esperançoso na presença
de Lucas.
HARRISON: Santa
Farmacêutica.
PARIS: Santa
mesmo. Eu só queria o nome desse remédio para usá-lo na minha mãe quando eu
contar que eu não vou pra universidade ano que vem.
Eles se sentam.
Harrison fica pasmo.
HARRISON: Não vai
para a universidade por quê?
PARIS: O meu
sonho é ser uma grande atriz. Eu fiz cursos básicos de teatro, faço parte do
clube de teatro da escola. Amo cinema e televisão.
HARRISON: E por que
não entrar em uma universidade de teatro para ampliar os seus conhecimentos?
PARIS: Aí é que tá
o problema. Minha mãe jamais aceitaria que eu cursasse teatro na faculdade. Ela
quer que eu me torne uma excelente advogada. Cá entre nós, eu estou mais para
uma Elle Woods do que para uma Annelise Keating.
HARRISON: Você se
daria bem como uma Elle Woods.
PARIS: Eu acho
que não. (sorri) Aqui em Florence há um monte de contatos e eu não vou precisar
de uma universidade. Por isso eu decidi não ir pra lugar algum ano que vem. Que
tal?
Harrison dá uma
gargalhada.
HARRISON: Engraçado,
porém fico em dúvida se isso é inteligente.
PARIS:
Inteligentíssimo.
-corta para:
CENA 3 –
INT. CASARÃO ABANDONADO NUM BOSQUE – DIA.
Um salão antigo cheio
de móveis cobertos por lençóis empoeirados. Adolph, Inverno e Elizabeth estão
reunidos discutindo sobre Lucas.
ADOLPH: A energia
do garoto adormeceu.
INVERNO: Não há
vestígio algum de energia, o que pode ter acontecido ao nosso menino?
ADOLPH: Não sei.
ELIZABETH: É óbvio
que o doparam. Ele foi levado para o hospital ontem à noite. Devem ter injetado
algo.
INVERNO: Ele está
sendo medicado? Isso pode ser um problema pra gente.
ADOLPH: Precisamos
tomar providências urgentemente.
INVERNO: Uma
invasão ao orfanato cairia bem.
ELIZABETH: Jamais!
Está louco? Isso despertaria a atenção da família Del Chiaro. Não sabemos se há
alguma escolta por aí.
ADOLPH: Eles não
sabem onde o garoto está... Um fato. Estamos um passo à frente.
INVERNO: Vocês
dizem isso há dois anos! Malditos dois anos em que estamos tentando despertar a
suprema energia desse moleque!
ADOLPH: É
necessário paciência para se obter êxito, Se você não aguenta mais esperar após
longos dois anos, então não és digno de desfrutar de tal poder.
ELIZABETH: Adolph tem
razão. Precisamos ser pacientes. Apesar do garoto não facilitar. Dependemos de
pesadelos e alucinações que nos fazem enfraquecer para poder deixá-lo liberto.
ADOLPH: Ele recusa
ter novos laços. Aprendeu a lidar com a tristeza e a solidão facilmente.
ELIZABETH: As perdas,
nossas maiores armas, já não há mais espaço para elas por causa disso.
ADOLPH: Acabamos
com a vida das pessoas que ele mais amava, esperando obter algum resultado, mas
ele fica cada vez mais resistente e furioso.
ELIZABETH: No
entanto, ainda temos métodos que funcionam. Não vamos invadir a merda daquele
orfanato com nossas técnicas, apavorando dezenas de pessoas, chamando a atenção
dos nossos inimigos...
ADOLPH: E botando
tudo a perder.
INVERNO: Mas seria
a melhor forma de despertar totalmente a energia azul dele.
ELIZABETH: Seu plano
está fora de cogitação. Lucas pode morar ali, mas não demonstra ter vínculos
emocionais com o lugar a ponto de entrar em depressão profunda.
INVERNO: Mas ele já
perdeu duas pessoas e se culpa. Imagina perder o seu lar?
ADOLPH: Qual parte
do “Não vamos invadir a merda daquele orfanato” você não entendeu?
ELIZABETH: Vamos
enlouquecê-lo com pesadelos. Continuaremos assim.
-corta para:
CENA
4. QUARTO DE HOTEL – DIA
Lana está ao lado de
Damian que por sua vez está em sua cama delirando de febre. Ela coloca um lenço
úmido em seu rosto, enxugando o suor.
LANA: Mestre,
você precisa ir a um hospital.
DAMIAN: Eu não vou
a lugar algum. Não vê que isso foi efeito da minha técnica?
LANA: Claro que
eu vi! E avisei que não deveria ter feito aquilo. A sua saúde anda uma calamidade
há meses. Eu me submeti às suas ordens por causa da sua condição, Damian.
DAMIAN: Sei das
suas boas intenções, Lana, mas eu precisava rastrear o rapaz.
LANA: Me diga! O
senhor chegou a algum lugar com isso? Obviamente não, né?
DAMIAN: Eu
consegui rastrear...
Ele tosse por uns
segundos.
LANA: É melhor
você repousar. Depois conversaremos sobre isso. Agora não se mexa que eu vou
tentar lhe transferir energia.
Lana coloca as mãos
sobre o tórax de Damian. Uma forte luz de cor rosa é emitida através de seus
dedos. Ela pressiona as mãos, massageando o corpo dele e Damian começa a
tossir. Close-up no rosto de Lana, preocupada.
CENA
5 – INT. FLORENCE HIGH – DIA
[MÚSICA
TOCANDO: Alento – Marcelo Jeneci]
Planos
gerais da cidade. Vista aérea do colégio Florence. Os alunos estão na quadra
praticando educação física. Paris e Harrison estão correndo ao redor da quadra.
Os dois continuam conversando sobre Luke.
PARIS: Não tô
acreditando que você foi parar naquele lugar!
HARRISON: Sério, pode
acreditar. Eu levei um susto quando entrei na sala de música e me deparei com o
cara tocando piano e muito bem, por sinal.
PARIS: Quem olha
você dizendo isso até parece que ele é um anjinho.
HARRISON: Eu pensei
que ele fosse um anjinho ali.
PARIS:
(gargalhando) HAHAHA! Seria meigo se a gente não conhecesse o bad boy.
HARRISON: Eu
achei... (sorri) Ah! Fofo.
Paris para de correr,
coloca as mãos na cintura e olha para o rapaz, perplexa.
PARIS: Harrison,
você é gay?
Harrison para e dá
uma gargalhada. Ele toca no ombro de Paris e faz que sim com a cabeça.
PARIS: Não creio!
Ai meu Deus!
HARRISON: Sim. Por
que acha que eu me interessei tanto no Lucas? Ele tem um jeito todo durão e
isso me atraiu de cara. Sem contar todas as outras qualidades.
PARIS: Cara, você
se deixou cegar pelo garoto mais temido da escola. Eu estou no chão!
HARRISON: Ei, qual
é? Cegar já é demais. Foi só uma curiosidade. Coisa boba.
PARIS: Ainda bem
que sabe disso. Luke não é garoto pra você. Não que eu saiba qual seja o seu
tipo de garoto. Mas pelo que eu já sei, você é um cara legal e não merece
perder tempo com alguém como ele.
HARRISON: Eu sei
muito bem, Paris. O Lucas mal consegue olhar pra gente como ser humano, quanto
mais conversar.
PARIS: Eu não te
culpo. Lembro do quão encantador ele já foi. Deve ter restado algum vestígio de
doçura nele pra você ter ficado curioso.
HARRISON: Se ele
fosse mais aberto, eu até tentaria.
PARIS: E como vão
ficar as coisas agora que você tá trabalhando no orfanato junto com ele?
HARRISON: Não sei.
Nem quero imaginar. Desconheço tudo o que ele possa fazer comigo ali tão
próximo.
PARIS: Não espere
por um beijo. O mais próximo que a sua boca vai chegar do Lucas é quando ele te
der um soco.
HARRISON: Eu
confesso que estou ficando com medo.
-corta para:
CENA 6 – INT. FLORENCE HIGH – DIA
[MÚSICA TOCANDO: Pumped Up Kicks - Foster the People]
[FLASHBACK IN]
[FLASHBACK IN]
Lucas está
no corredor erguendo um garoto pelo pescoço contra a parede. Ele dá socos na
barriga do rapaz.
LUCAS: Então o
que você aprendeu hoje?!
GAROTO: Eu vou
ficar longe de você!
LUCAS: Eu não
ouvi.
O garoto tosse e fala
em voz alta.
GAROTO: Eu vou
ficar longe de você, Lucas!
LUCAS: Isso mesmo.
Bem longe! Nada de respirar perto de mim e se eu sonhar que você anda me
bisbilhotando pelos cantos, eu vou marcar a sua cara com ferro quente.
Luke dá outro soco no
garoto e o solta. O rapaz rasteja pelo chão. Close-up numa CÂMERA DIGITAL no
chão. O garoto tenta pegar o objeto, mas Lucas pisa na mão dele. Ele grita de
dor. Luke recolhe a câmera.
LUCAS: Isto aqui
vai ficar comigo! A não ser que você queira que eu acabe com a tua vida.
GAROTO: N-não...
Não se preocupe, Luke.
LUCAS: Sai da
minha frente, agora!
O garoto sai correndo e
Lucas o observa. Ele volta o seu olhar para a câmera em sua mão, ligando-a.
Analisa cada foto registrada. Numa das fotos, Luke está com os olhos azuis. Ele
se espanta ao ver a imagem.
[FLASHBACK
OUT]
-corta para:
CENA
7 – INT. QUARTO DE HOTEL – TARDE
Lana
continua cuidando de Damian. Suas mãos estão cobertas por chamas vermelhas e
rosadas. Seus olhos mergulhados numa intensa cor carmim. O rosto tão molhado de
suor quanto o rosto de Damian. Ele continua delirando de febre. Os olhos se
abrindo e cerrando em intervalos curtos.
LANA: Resista!
Tenha força, Damian, por favor!
As mãos de Lana
tremem.
-corta para:
CENA
8 – INT. FLORENCE HIGH/AUDITÓRIO - TARDE
Paris está conversando com
uma garota na escuridão da enorme sala.
PARIS: Você não
vai acreditar... Ele é um idiota mesmo. Confia demais num amor que nunca
existirá.
GAROTA: Tolo. Uma
ameaça.
PARIS: Fique
tranquila, eu vou matá-lo. Ele não vai continuar com essa palhaçada e arruinar
os nossos planos.
GAROTA: O que você
tem em mente?
PARIS: Ele é um
forasteiro... Não sabe de nada do que acontece em nossa cidade... Os
segredos... As nossas armadilhas. Vai ser fácil tirá-lo do caminho.
GAROTA: Eu gosto
quando você fala assim, querida. É tão voraz. Dá medo e eu gosto quando pessoas
que trabalham pra mim dão medo.
PARIS: Senhora,
eu me aproximei muito dele. Ele não me vê com medo. Ele me considera sua nova
melhor amiga. Sabe... As coisas são mais divertidas quando ninguém sabe quem é
quem na história.
GAROTA: Só vou lhe
dizer uma coisa, seja breve... Seja breve e mate-o, Paris.
PARIS: Já disse
pra ficar tranquila, pois...
As luzes do palco se
acendem. A professora de teatro grita e se aproxima das duas no palco.
PROFESSORA: As duas ficaram
ótimas, mas Melanie, você tem que lembrar que está falando com sua subordinada,
Ruby e não com a Paris. Entre na personagem com tudo e seja mais cautelosa da
próxima vez.
MELANIE: Sim,
professora. Me desculpe, eu fiquei eufórica.
PROFESSORA: Tudo bem,
querida... E o que eu posso dizer de você, Paris?
PARIS: Eu fiquei
nervosa.
PROFESSORA: Que
nervosa radiante. Eu quero mais desse nervosismo hoje. Você fica para
ensaiarmos mais um pouco com a outra turma. Se não for interferir na sua outra
aula, claro.
PARIS: Sério?
(sorri) Eu fico sim. Não vou assistir mais aula alguma... Quer dizer, vou
assistir mais uma aula sua e ensaiar...
PROFESSORA: Sim, sim.
Eu entendi. Controle-se.
PARIS: Não tem
como. Obrigada!
Ela pula de alegria.
-corta para:
CENA
9 – INT. CASA DA PARIS – TARDE
Paris abre
a porta de casa e entra silenciosamente. A mochila em suas costas e um
guarda-chuva. Ela avança um corredor e entra na sala de jantar onde sua mãe,
BEATRICE (Angela Bassett) está
sentada a mesa, sozinha. Ela bate os pés no chão com impaciência e fúria.
PARIS: Oi, mãe?
BEATRICE: Ah... “Oi,
mãe?”. Você acha isso lindo? Por onde você esteve, Paris?!
PARIS: Na aula...
Me desculpe, eu ia avisar, mas o meu celular descarregou.
BEATRICE: Na aula de
teatro?
PARIS: S-sim.
BEATRICE: Na maldita
aula de teatro! Sobre o que nós conversamos, Paris? Tá lembrada? Eu avisei a
você para estar aqui às três em ponto. O seu foco principal é a advocacia
juntamente com o compromisso familiar acima de qualquer outra coisa!
PARIS: Eu não...
Desculpe, eu não queria tê-la feito esperar.
BEATRICE: Não
queria. Se não queria, tudo o que deveria ter feito era ter vindo para casa.
Avisei que seria importante. Disse aos meus amigos que você é uma garota
responsável... O que devem estar pensando sobre nós duas agora?
PARIS: Mãe, eu
sei que eu errei, mas foi apenas uma reunião. Eles vão entender que eu tenho
outras prioridades.
BEATRICE: Teatro não
é a sua prioridade. Estar aqui para conhecer alguns dos membros mais
importantes da área de direito de Florence, sim!
Paris fica calada
diante da situação.
BEATRICE: Falei
muito bem sobre você. Ficaram encantados. Seria uma oportunidade única pra
você. Está satisfeita, agora? Feliz?!
PARIS: Eu não
queria que isso tivesse acontecido.
BEATRICE: Saia da
minha frente com os seus “não queria”. Retire-se da minha presença!
A garota volta ao
corredor e sobe as escadas.
-corta para:
CENA 10 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN -
DIA
Lucas sai
do quarto escondido e anda só de pijamas pelos corredores do orfanato. Uma
aparência cansada e frágil. Ele percebe a presença de Harrison e da diretora se
aproximando. Luke se esconde atrás de um pilar.
HARRISON: Eu vou
ficar na sala de música, hoje?
DIRETORA: Sim. O
Lucas vai precisar ficar em repouso o dia inteiro.
HARRISON: O que
realmente aconteceu ontem?
DIRETORA: Não é a
primeira vez que isso ocorre. Pode ficar despreocupado. Temos o controle de
tudo.
HARRISON: Foi grave?
Soube que ele feriu uma das irmãs?
DIRETORA: Olha,
Harrison. Eu serei bastante franca com você. Sei que o Lucas parece ser um
garoto triste e sem ninguém e sei que você, mesmo não o
conhecendo direito, se preocupa, mas ele escolheu ser assim.
HARRISON: Ninguém
escolhe ser triste, senhora.
DIRETORA: Não me
entenda mal. O Lucas vive da maneira dele. Não vai sair por aí atacando
qualquer um, mas também não quer ser incomodado. Eu mesma respeito isso. Queria
que fizesse o mesmo.
Harrison olha para o
vazio.
HARRISON: Eu
entendo, mas não consigo tirar da cabeça tudo o que a cidade anda falando. Ouvi
na escola que ele pode se tornar um perigo para as crianças. Sei que isso é um
exagero, mas não tem medo de que alguém tome parte?
DIRETORA: Você não
tem que ligar pra tudo o que essas pessoas falam. Lucas é um amor. Apenas quer
ficar sozinho e nada mais. Só nos resta respeitá-lo.
HARRISON: Eu o
respeito, mas fico preocupado.
DIRETORA: Não tem
porquê. (Sorri) Sempre vamos estar aqui por ele. O Luquinhas vai ficar melhor.
CAM foca em Luke
ouvindo a conversa. Uma lágrima escorre do olho do rapaz.
-corta para:
CENA 11 – INT. QUARTO DE HOTEL – TARDE
Lana
continua cuidando de Damian. Ele está dormindo agora. A mulher coloca uma
toalha umedecida na testa dele. Ela aparenta estar muito preocupada e procura
algo no minibar. Close-up nas mãos de Damian sendo cobertas por chamas
vermelhas e rosas. Ele abre os olhos que estão da mesma cor. Damian grita e
Lana se aproxima mais uma vez.
LANA: Damian! O
que está acontecendo?
DAMIAN: AH! Dói!
Eu não vou suportar isso!
Ela pega nas mãos do mestre e tenta diminuir a energia que está sendo
liberada por ele.
LANA: Droga!
Tente se acalmar, por favor!
Damian começa a tremer e se revirar na cama. Lana tenta segurá-lo, mas
ele a arremessa contra a janela. Ela se segura na cortina e volta para o
quarto. Damian cai da cama e se debate. Lana corre com suas mãos em chamas e o
prende pelo pescoço.
LANA: Se acalme.
Relaxe ou você...
Damian passa a mão sobre os olhos de Lana.
LANA: O que você
está fazendo, mestre?!
DAMIAN: Blue...
A energia de Damian cessa.
DAMIAN: A
localização... Proteja-o, Lana.
Damian fecha os olhos. Ele respira por um tempo e morre.
LANA: Não! Você
não pode morrer!
Lana dá tapinhas em Damian esperando que ele reaja.
LANA: Não havia
nada sobre isso no nosso plano! Damian! Acorda! Fique vivo, mestre, por favor!
Ela mergulha a cabeça no peito dele e chora.
-corta
para:
CENA 12 – EXT. AVENIDA PRINCIPAL DE FLORENCE –
NOITE.
Anoitecendo. Vista da
cidade. O céu mudando de cor. As luzes artificiais se acendendo. Lucas andando
sozinho pela cidade. Harrison o observa de longe e atravessa a avenida.
HARRISON: Ei, Luke!
Lucas olha para trás e
vê Harry. Ele olha para a frente novamente, seguindo seu caminho.
HARRISON: Luke!
Harrison entra na
frente do garoto, parando-o.
LUCAS: É Lucas
pra você... Qual é. Cismou em ficar me perseguindo pelos quatro cantos. Primeiro
na escola, depois no orfanato e agora na rua.
HARRISON: Lucas, certo.
O que está fazendo aqui? Não era para você estar repousando?
LUCAS: O que eu
faço ou deixo de fazer não te diz respeito, garoto.
HARRISON: Não
conheço muito de você, mas desculpa o meu jeito de me aproximar...
LUCAS: Quê?
HARRISON: É que eu
vejo algo que não gosto. Eu não quero que te ver assim tão triste e nem nada do
tipo.
LUCAS: Eu só
posso ter jogado pedra na cruz. Não! Eu não joguei pedra na cruz, EU fiz a cruz.
HARRISON: Olha, eu
não quero parecer chato.
LUCAS: Você não
parece chato... Você é chato.
HARRISON: Só estou
preocupado... Você também não facilita. Eu só queria que você se tornasse uma
pessoa melhor. Nunca lidei com pessoas assim na minha vida.
LUCAS: O que quer
dizer com isso? Que eu sou uma pessoa ruim? Que eu tenho que deixar de ser quem
eu sou porque você está incomodado?
HARRISON: Não. Não é
nada disso. Só não quero te ver assim... Se afastando das outras pessoas. Eu
sei tudo o que aconteceu com você e não quero t...
LUCAS: Você não
sabe nada. Fica longe de mim!
HARRISON: Eu não
consigo. Eu tive uma educação diferente e eu só sei ajudar. Não me vejo fazendo
outra coisa e... Me sinto mal vendo você desse jeito. Nós vamos praticamente
trabalhar juntos... Eu quero ajudar.
LUCAS: Ótimo,
Ringo.
HARRISON: Harrison.
Lucas puxa Harrison
pela gola de sua jaqueta e o levanta próximo ao seu rosto.
LUCAS: Harrison,
Ringo... Pouco me importa qual dos Beatles é você. Me faça um favor e ajude a
si mesmo, ok? Mas bem longe de mim!
Luke empurra Harrison.
LUCAS: É o melhor
que você tem a fazer.
-corta para:
CENA
13 – INT. CASA DOS PARKER – NOITE.
Harrison chega em casa cansado. Enquanto
ele sobe a escada, Lúcio aparece embaixo.
LÚCIO: Por que não
atendeu as minhas ligações, Harry?
Harrison para de subir
e olha para o pai.
HARRISON: Eu estava
ocupado. Muito trabalho. O celular na mochila, o que houve?
LÚCIO: Ainda
pergunta o que houve. Já deu uma olhada no relógio? Já são nove da noite. Você
sumiu e não avisou.
HARRISON: Estava ocupado,
já disse e depois fui tomar um ar, tá legal? Agradeça já que a minha presença
te incomoda.
LÚCIO: Conseguiu
novas companhias? É isso?! Mal chegou e já está andando por aí com
desconhecidos... Com algum desconhecido?
HARRISON: Quando
você era casado com a mamãe e não sabia que eu era gay, era incrível como não
tinha tamanha preocupação comigo. Mas agora... Tudo diferente, não é mesmo?
LÚCIO: Você está sob a minha responsabilidade! Deveria entender isso.
HARRISON: Não, pai! Eu estou vivendo nos seus domínios. Os seus limites. A sua cidade. O paraíso que você inventou pra si mesmo e olha quem veio estragar... Sim, eu.
LÚCIO: Como ousa dizer isso?
HARRISON: Realidade. Verdades na sua cara. Eu não sou uma criança.
LÚCIO: Eu não vou discutir com você. Eu sou o seu pai e tenho a última palavra. Já basta.
HARRISON: Você não pode controlar tudo, Lúcio. Fala aí! Tá com medo da ovelha colorida colocar em risco a sua posição de homem sério na sociedade?!
LÚCIO: Você só é uma ameaça se eu quiser.
HARRISON: Só estou aqui porque minha mãe não teve saída e me colocou nesta maldita condição.
LÚCIO: Você nunca vai ter jeito.
HARRISON: Não! Eu nunca terei jeito, não o jeito que você quer que eu tenha. Eu não sou obrigado a aturar os seus ataques a cada vez que eu sair.
Os dois se encaram
ferozmente. Harrison volta a subir.
-corta para:
CENA
14 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN/QUARTO DO LUKE – NOITE.
Um quarto
de paredes cinzas e uma enorme janela centralizada. Lucas está em pé olhando a
rua vazia.
[FLASHBACK
IN]
Lucas escondido
observando Harrison e a diretora Bárbara conversando:
HARRISON: Soube que ele feriu uma das irmãs.
DIRETORA: Sei que o Lucas parece ser um garoto triste e
sem ninguém e sei que você, mesmo não o conhecendo direito, se preocupa, mas
ele escolheu ser assim.
HARRISON:
Ninguém escolhe ser triste,
senhora.
DIRETORA: Não me entenda mal. O Lucas vive da maneira
dele. Não vai sair por aí atacando qualquer um, mas também não quer ser incomodado.
Eu mesma respeito isso. Queria que fizesse o mesmo.
HARRISON: Eu entendo, mas não consigo tirar da cabeça
tudo o que a cidade anda falando. Ouvi na escola que ele pode se tornar um
perigo para as crianças. Sei que isso é um exagero, mas não tem medo de que
alguém tome parte?
Outro
flash: Harrison conversando com Lucas na rua:
HARRISON: Lucas, certo. Não conheço muito de você, mas
desculpa o meu jeito de me aproximar...
LUCAS: Quê?
HARRISON: É que eu vejo algo que não gosto. Eu não quero
que te ver assim tão triste e nem nada do tipo.
[FLASHBACK
OUT]
LUCAS: Eu sou um
desperdício de espaço. O que há de errado comigo?
Ele segue até sua mesa e abre a gaveta, retirando a câmera digital que ele
tomou do garoto de sua escola. Ele
liga o aparelho e abre a foto em que seus olhos estão azuis.
LUCAS: O que
existe além do meu olhar? Por que tudo o que se aproxima de mim se destrói? Eu
não entendo mais nada ao meu respeito.
Luke joga a câmera contra a parede, quebrando-a.
LUCAS: Eu só vivo
para machucar as pessoas. Eu sou incapaz de gostar de alguém. Sou um lixo. Tudo
o que eu toco se quebra. Não sou um ser humano... Eu sou um objeto que fere.
Ele pega um livro dentro da gaveta. Fotos de Lucas e Brian, algumas
cartas e mais fotos, mas agora com Keegan.
LUCAS: Eu matei
vocês dois... O meu amor não foi suficiente. Todas as pessoas desistem de gente
como eu. Não vale a pena viver isso que chamam de vida. Eu tenho que ir para um
abismo de morte eterna e morrer várias e várias vezes porque viver outra vida
não vale a pena. Não pra mim.
Lucas se ajoelha e depois deita no chão, chorando.
LUCAS: Eu não
tenho como ser algo bom. Eu sou uma maldição e toda maldição precisa ser
parada. Eu vou pará-la.
-corta para:
CENA 15 – INT. CASARÃO ABANDONADO – NOITE.
ELIZABETH, INVERNO e ADOLPH estão sentados à mesa do jantar. Todos em
silêncio. Um vento forte invade o lugar e as enormes janelas de vidro se abrem.
Elizabeth (Jenna Dewan) retira sua máscara. Ela sorri. Efeito e Letreiro com nome do personagem: ELIZABETH.
ELIZABETH: Um brinde.
Mesmo tão recentes, parece que os efeitos do remédio não vão funcionar. (Sorri)
Elizabeth leva sua taça de vinho ao alto. ADOLPH (Joseph Gordon Levitt) e INVERNO (Jared
Leto) retiram suas máscaras e olham um para o outro, sorrindo. Eles levantam
suas taças e brindam. Efeito e Letreiro com nome dos personagens: ADOLPH. INVERNO.
INVERNO: Foi mais
rápido do que pensei. Mal vejo a hora de voltar a atormentar o garoto.
ADOLPH:
Ele
está sofrendo sozinho, que lindo.
ELIZABETH: Sintam a energia
azul dele se expandido por toda Florence.
INVERNO: Que poder
maravilhoso. Minha pele saboreia o toque renovador da aura de Lucas.
ADOLPH: A minha
vontade é me aproximar dele e sugar toda essa energia deliciosa.
ELIZABETH: Calminha
aí, rapazes. Só porque ele voltou ao estado que queremos, isso não significa
que já está pronto para atacarmos. Vamos com calma!
Eles
brindam mais uma vez.
-corta para:
CENA 16 – SEQUÊNCIA DE CENAS – NOITE
[MÚSICA
TOCANDO: Sirens – Tom Odell]
1.
Planos gerais da cidade de Florence. Casa dos
Parker. A porta do quarto de Harrison aberta. Ele fecha e vai pra frente de um
grande espelho. Close-up no olhar dele.
2.
Casa da
Paris. Ela está em seu quarto usando o computador e passeando pela página do
curso de teatro da universidade. Ela segue até o site de inscrição do
vestibular para o curso de direito e cancela o seu pedido. Sorri.
3.
Lucas chorando e subindo as escadas de acesso ao
topo do prédio. No terraço do orfanato, ele observa as luzes da cidade. A
maioria sendo desligada.
4.
Quarto do hotel onde Lana está. O corpo de Damian
coberto por um edredom. Lana está na janela, chorando e sente uma energia.
Close-up nos olhos de Lana. Imagens de olhos azuis sendo refletidos nos olhos
dela. Ela tem a visão de um orfanato e ouve alguém chorando. Sai correndo do
quarto.
5.
No orfanato
novamente, Lucas tomado por uma aura azul ao seu redor, chora e prepara-se para
o suicídio. Se aproxima lentamente da proteção e olha para baixo. Fecha os
olhos. Ele se joga.
CENA 17 – EXT. RUA DESERTA DE FLORENCE - NOITE
Lana está
dirigindo em alta velocidade. Ela tem outra visão. Uma luz azul predomina a
cena. A luz cessa e Lana demonstra pânico.
LANA: Meu
Deus... A energia dele... Sumiu.
[TELA PRETA]
[FIM DO EPISÓDIO]

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