terça-feira, 8 de março de 2016

EPISÓDIO 1X1 - EVERYTHING IS BLUE!


BLUE

EPISÓDIO 1X1: EVERYTHING IS BLUE
ESCRITO POR RAUL ORIHARA



CENA 1 - EXT. TERRAÇO DE UM HOTEL – NOITE.

[MÚSICA TOCANDO: Remember Me – Johnny Cash]

  

A câmera se movimenta rapidamente. Planos gerais de um bairro pouco movimentado. Está escuro e chovendo. Topo de um pequeno prédio. KEEGAN (Tyler Blackburn) está olhando fixamente para baixo querendo cometer suicídio. Ele chora. LUCAS MORRISON (Ezra Miller) de cabelo e roupas molhadas, o observa de baixo, na rua.

LUCAS: Keegan! Não!    
    
   Ele entra no prédio correndo. CÂMERA SUBJETIVA focando em todos os passos de Lucas subindo os degraus. CÂMERA OBJETIVA: Ele tenta abrir a porta que dá acesso ao terraço, mas não consegue.

LUCAS: Keegan, abra essa porta! Não faça isso! Por nós dois, não faça.

   Close-up rosto de Keegan. Ele coloca os pés na marquise e olha para baixo novamente. Lucas tenta arrombar a porta.

LUCAS: Por favor! Eu te amo, não...

    Keegan fecha os olhos e abre os braços.

KEEGAN: Me perdoa, Lucas...

    Ele se joga e cai em cima de um carro, disparando o alarme. Lucas grita e cai diante da porta, chorando. Ele puxa os cabelos em desespero, levanta e corre até a rua onde vê o corpo em cima do carro. CAM superior foca no corpo por cima do prédio. CAM foca no rosto de Lucas.


[Music fade out]

    Lucas desperta assustado. Ele está em sua cama ainda de pijama. Olha ao redor e vê seu quarto intacto. Ele respira profundamente, fecha os olhos e os abre novamente. Uma chama azul cintila dentro dos seus olhos. Efeito e Letreiro com nome do personagem: LUCAS.


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CENA 2 - EXT. RODOVIA/ENTRADA DE FLORENCE – DIA.


 [MÚSICA TOCANDO: The Sound - The 1975]



    Planos gerais. Uma rodovia sendo exibida sob um céu alaranjado da manhã. HARRISON PARKER (Jordan Fisher) está relaxado na poltrona. O rosto encostado no vidro do carro. Ele olha para o vazio enquanto sua mãe, AMANDA (Zoe Saldaña) dirige e mexe os braços ao som da canção que sai do player. Ela arregala os olhos e o observa, dividindo-se entre o rapaz e a estrada a sua frente.

AMANDA: Harrison?

HARRISON: (tom de desânimo) Oi, mãe.

AMANDA: O que há com você, querido? Hey!

 Ela pega no braço de Harrison e o sacode.

AMANDA: Você adora essa música. Por que não se movimenta um pouco?

   Ele fica ereto no banco e expira profundamente, balançando a cabeça. Efeito e Letreiro com nome do personagem: HARRISON.

HARRISON: Eu... Eu ainda estou tentando entender.

AMANDA: O que você está tentando entender?

HARRISON: Por que eu vou ter que morar com ele? Por que eu não posso viajar com você? Ou eu poderia ter ficado na capital, vivendo em um hotel. Você sabe que eu não dou trabalho.

AMANDA: Querido, você tem seus estudos. Já conversamos sobre isso N vezes e pela última vez, eu falo que não vai ser por muito tempo.

HARRISON: Um ano, mãe!

AMANDA: Nove meses. Logo, logo eu estarei com você, Harry. Por favor, me entenda.

HARRISON: Daqui a nove meses nasce um bebê!

AMANDA: Não tente engravidar ninguém por aí, querido.

     Ele volta a encostar a cabeça no vidro.

HARRISON: Você sabe muito bem que se fosse outra pessoa, eu ficaria.

AMANDA: De qualquer forma, você vai ficar. Eu sei que vocês têm suas diferenças, mas ele não deixa de ser o seu pai.

HARRISON: Ele é um ser humano rude. Só pensa no próprio umbigo e você sabe que ele nunca vai me aceitar.

AMANDA: E você é totalmente o oposto e sendo o oposto, vai se portar como um bom garoto e vai ajudar a sua mãe.

HARRISON: Mas...

AMANDA: Harry...

HARRISON: Eu… Eu vou tentar.

AMANDA: Exatamente. (sorri)

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CENA 3 - EXT. CASA DOS PARKER. DIA.

     O carro onde Harrison se encontra para em frente a uma casa estilo clássico francês com muitos arbustos ao redor. Muito silêncio, a não ser pelo som do vento. Harrison saindo do veículo com a mãe. Ele observa todo o lugar, franze o cenho e para em frente a mulher, apontando-lhe a casa.

HARRISON: Eu não acredito que vou passar nove meses aqui sozinho com ele!

AMANDA: Fique tranquilo. Eu acho pouco provável ele ficar com você o dia todo sendo que está sempre cheio de trabalho.

HARRISON: Você está se vingando de mim, mamãe.

AMANDA: Como é que é?

HARRISON: Está se vingando antecipadamente por algo que farei no futuro.

AMANDA: Harrison, você tem dezessete anos. Não é mais uma criança. Aí vem ele... (Vira-se) Oi Lúcio.

    LÚCIO PARKER (Ricky Whittle) se aproxima dos dois com os braços abertos. Ele sorri.

LÚCIO: Amanda, há quanto tempo?! (Abraçando-a)

AMANDA: Muito tempo, não é mesmo?

LÚCIO: Sim e apesar dele, você continua mantendo a coroa de mais bela de sua geração.

AMANDA: Não seja galanteador... (sorri) O seu tempo já passou, querido.

LÚCIO: (sorri) Eu sei muito bem disso. E como vai você, Harrison?

    Harrison olha para os lados e sorri forçadamente.

HARRISON: Eu vou bem, pai.

LÚCIO: Vamos entrar?

    Eles seguem Lúcio que abre a porta da casa.

                                                  -corta para:



CENA 4. INT. UM QUARTO DE HOTEL ESCURO – DIA.

   Livros espalhados pelo chão e algumas garrafas de uísque quebradas. LANA (Leighton Meester) está sentada na cama lendo um livro e fumando um cigarro. A porta do quarto se abre e DAMIAN (Cillian Murphy) entra.

DAMIAN: Finalmente acordou, hein?

LANA: Sim, Damian. Eu consigo ouvir o estalar de cada um dos meus ossos formando uma verdadeira orquestra.

     Efeito e Letreiro com nome do personagem: LANA.Damian segue até o minibar e pega uma garrafa de uísque. Ele enche um copo e senta ao lado de Lana.

DAMIAN: Então, Lana... Algum sinal da nossa caixa de pandora?

    Lana se levanta e toma-lhe o copo de uísque. Damian tenta falar algo, mas ela o interrompe.

LANA: Nada ainda. Mas sinto gradualmente a presença. Estamos mais perto do que imaginamos.

DAMIAN: Isso que você chama de perto está demorando muito. Já estamos aqui há mais de um mês. Se eu estivesse em boas condições, já o teria encontrado.

LANA: Nem pense em ser pessimista, amiguinho. Nunca ouviu dizer que o tempo que se dedica à rosa é o que a torna importante?

DAMIAN: Isso aqui não é o mundo do Pequeno Príncipe, não, minha jovem. Estamos nos aproximando de uma guerra.

LANA: E você acha que é o único que tem medo disso?

DAMIAN: Não tenho medo. Não tenho medo de nada.

LANA: Todo mundo tem medo, Damian. Todo mundo tem medo de alguma coisa, até de ser feliz. Isso faz parte. Não banque o valentão.

DAMIAN: Não tenho medo, mas não importa. Precisamos cumprir a nossa tarefa.

LANA: Mais alguns dias e iremos encontrar a preciosidade que eles tanto querem.

DAMIAN: Eu espero que você esteja certa disso. Se aquelas coisas lá fora colocarem as mãos nele, estaremos todos em maus lençóis.

   Lana bebe todo o uísque e aperta o copo, quebrando-o. Ela segue até a janela e observa a rua silenciosa.

LANA: Sua irmã não pensou nas consequências e acabou criando uma máquina de destruição que está lá fora adormecida, mas a qualquer momento despertará.

   Ela se vira para Damian.

LANA: Eu não vou deixar aquelas coisas botarem as mãos sujas no seu sobrinho. Fique despreocupado, mestre.



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CENA 5 - EXT. PRAIA: SOUL BEACH – DIA

   [Música: Colors Pt. II – Halsey]

 
    
  Vista aérea da cidade de Florence. Muitos prédios e grandes parques florestais mesclados em harmonia. Uma cadeia de montanhas cerca parte do local. A praia. Há poucas pessoas frequentando o lugar. ÂNGULO ALTO: Lucas anda descalço pela areia. Ele deixa as ondas molharem seus pés. O vento bagunçando seu cabelo. Close-up nos olhos dele. Ele olha para o horizonte e depois volta seu olhar para duas pessoas paradas no calçadão ao longe. Elas o observam. Close-up: Um homem e uma mulher usando máscaras e sobretudos pretos.

HOMEM: Ele vai ficar assim por quanto tempo?

MULHER: Não sei, mas não vai demorar muito até que enlouqueça totalmente. Ele será nosso em breve.

[fade out]

[ABERTURA]







CENA 6 – INT. CASA DOS PARKER/SALA PRINCIPAL – DIA

   Os pais de Harrison conversando particularmente sobre a mudança do rapaz para a casa do pai enquanto ele está sentado ao piano tocando Für Elise.

AMANDA: Realmente ainda não sei como te agradecer por isso, Lúcio.

LÚCIO: Não tem que agradecer nada. Ele é meu filho.

AMANDA: Eu sei, mas... Você tem tantas responsabilidades e eu apareço com mais uma.

LÚCIO: Tenho absoluta certeza de que o Harrison não vai me dar problemas, Amanda. Apesar daquilo...

AMANDA: Lúcio, por favor. Não.

   Lúcio se aproxima mais um pouco de Amanda e diminui o tom de voz.

LÚCIO: Sabe que eu nunca vou aceitar isso, não sabe?

AMANDA: Você não tem que aceitar nada! Ele é o seu filho, você mesmo diz. Só é diferente e muito especial.

LÚCIO: O que você vê de tão especial nisso? Ver o seu filho se agarrando com outros rapazes é algo especial pra você?!

AMANDA: Olha, eu quero de verdade que você se entenda com o Harrison. Muito mesmo, mas você não facilita.

LÚCIO: Meu único filho jamais me dará herdeiros. Isso dói.

AMANDA: O que dói é ouvir você dizer tal coisa. Harrison é um menino de ouro. Deveria estar feliz pelas escolhas dele.

     Ambos fazem uma pausa quando Harrison para de tocar.

AMANDA: Eu não vou ficar aqui discutindo com você. Eu vim em paz. Um carro está vindo logo atrás trazendo algumas coisas do Harry. Já acertei a papelada envolvendo a transferência dele para a nova escola.

LÚCIO: Você fez tudo por debaixo dos panos. Se eu tivesse feito isso, ele teria me mandado pro inferno. Como ele não te odeia?

AMANDA: Simples! Ele sabe que eu o respeito. Costumo sempre demonstrar o quanto. Diferente de você que foi o primeiro a virar as costas quando soube que ele era gay. Agora, tente fazer as coisas darem certo.

LÚCIO: Pode definir “dar certo”? Aceitar que ele faça o que bem entenda debaixo do meu nariz?

AMANDA: Não. Apenas respeite o seu filho. Fique bem.

    Amanda atravessa a sala rapidamente e abraça Harrison bem forte, beijando-lhe a testa.

AMANDA: Querido, eu já estou indo. Tenho que estar no aeroporto daqui a quatro horas, mas quero descansar antes.

HARRISON: Vem me visitar no mês que vem?

AMANDA: Eu farei o que estiver ao meu alcance, mas não é uma certeza. Vou estar muito ocupada.

    Harrison toca nos cabelos de sua mãe.

HARRISON: Tenha uma boa viagem, Amanda.

AMANDA: Se comporte e vá para aula na segunda.

HARRISON: Eu vou, não se preocupe. (sorri)



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CENA 7 - INT. COLÉGIO FLORENCE HIGH. – DIA

[LEGENDA: DIAS DEPOIS...]

   Um extenso prédio de tijolos vermelhos coberto por hera. Alunos entrando e saindo. Corredor da escola. ÂNGULO BAIXO: Os alunos andando de um lado para o outro. Derrubam livros, jogam papel no chão e se empurram. ÂNGULO PLANO: Os adolescentes dão gargalhadas altas e conversam entre si. Professores atravessam a multidão. Harrison anda pelo corredor procurando sua sala e acaba esbarrando em Lucas, derrubando seus livros.

HARRISON: Me desculpe, eu não...

LUCAS: Ah! Sai da minha frente, seu panaca.

 O rapaz empurra Harrison e recolhe seus pertences, indo embora logo depois.

HARRISON: Que recepção!

  PARIS está ali perto, organizando seu armário e se aproxima ajudando Harrison a recolher seus objetos do chão.

PARIS: Não liga. Ele é assim mesmo.

HARRISON: Ah, é?

PARIS: Sim. É.

   Efeito e Letreiro com nome da personagem: PARIS. Ela estende sua mão, cumprimentando-o.

PARIS: Paris Donovan, ao seu dispor.

   Harrison sorri e arregala os olhos.

HARRISON: Harrison Parker.

PARIS: Você só pode ser novato, não é?

HARRISON: Sim, estou indo para a aula do professor Elliot.

PARIS: Eu vou pra lá. Pode me acompanhar se quiser.

HARRISON: Claro que sim. (sorri)
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CENA 8 - INT. COLÉGIO IMPÉRIO/SALA DE AULA – DIA

    Uma sala grande e com poucos alunos. A aula ainda não começou. Harrison está ocupando uma mesa atrás da mesa de PARIS. Os dois estão conversando.

PARIS: Quer dizer que você é filho de Lúcio Parker, proprietário da academia de artes maciais da cidade? Sortudo, você.

HARRISON: Eu não diria sortudo. Meu pai e eu não temos uma relação muito amigável.

PARIS: Então por que você veio pra cá? Morar com ele e todas essas coisas.

HARRISON: Bom, minha mãe é dona de uma agência de modelos. Ela vai viajar numa turnê mundial de nove meses treinando garotas de comunidades carentes para serem modelos.

PARIS: Uau! Que ato nobre.

HARRISON: Sim, uma pena que eu não pude ir por causa da escola. Ela me transferiu pra cá sem que eu tivesse conhecimento disso, achando que ainda exista esperança.

   Ele balança a cabeça e sorri.

HARRISON: Esperança de que meu pai e eu possamos nos dar bem algum dia.

PARIS: Que malvada (sorri). Ela foi calculista. Nove meses é muito tempo. Acho que há esperança sim.

HARRISON: Não diga isso assim tão confiante.

     A porta da sala é aberta bruscamente. Lucas entra quase correndo sem olhar para ninguém e senta-se no fundo da sala. Harrison o observa disfarçadamente e volta-se para Paris.

HARRISON: Ele é assim o tempo todo?

    Paris olha para Lucas que agora está escrevendo alguma coisa em seu caderno.

PARIS: Ele já foi pior.

HARRISON: Pior? Como?

PARIS: Já se meteu em muita confusão por aqui. Nem tente falar com ele, pois ele não vai te responder.

HARRISON: Intrigante.

PARIS: Lucas Morrison é o seu nome. Todo mundo chama ele de Luke, mas ele não chama por ninguém. De santo só tem a cara, viu? Mais da metade da escola o odeia.

    Harrison se surpreende e sorri.

HARRISON: Engraçado.

PARIS: Não tem nada de engraçado com ele. É sério. Só pra você ter noção, o Lucas não faz trabalho em equipe. Da última vez que um professor tentou forçá-lo, ele partiu uma mesa com a mão.

HARRISON: Que sombrio. Então ele não gosta de falar com ninguém e nem de participar das aulas?

PARIS: Ele assiste as aulas e tem notas excelentes, mas evita contato com todos nós.

HARRISON: Qual a razão?

PARIS: Seria normal para um antissocial, mas ele faz questão de que todo mundo o odeie. Ele provoca. Isso é incomum.

HARRISON: Deve haver algo o machucando.

PARIS: Oi?

HARRISON: As pessoas nunca são o que são simplesmente por serem. Existem os fatores. Coisas que fazem bem e coisas que nos machucam...

PARIS: E realmente algo o machuca.

HARRISON: O quê?

PARIS: Não creio que seja isso, ele é gay. O que pra mim não é nada fora do comum, mas ele já teve dois namorados.

    Harrison ergue uma sobrancelha.

HARRISON: Nada fora do comum também. (sorri)

PARIS: Seria nada fora do comum se ambos não tivessem se suicidado.

     Harrison arregala os olhos, perplexo com a história. Close-up no rosto de Harrison.



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CENA 9 – INT. FLORENCE HIGH – DIA

    Refeitório. Uma pequena fila para o almoço. Os alunos estão almoçando. Harrison em uma mesa acompanhando Paris. Close-up nos olhos de Harrison. Ele olha para Lucas que está na fila. Close-up no rosto de Lucas. Ele coloca comida em sua bandeja e olha para Harrison por alguns segundos. Eles se encaram, mas logo Lucas sai dali. Harrison se levanta da mesa.



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CENA 10 – INT. ORFANATO GOLDEN GARDEN – TARDE.

   Um casarão branco estilo inglês cercado por Ipês. Harrison se levanta de uma mesa vazia do refeitório do orfanato. Um enorme salão com várias mesas. Ele anda acompanhado pela DIRETORA BÁRBARA (Jane Lynch). Ela está lhe instruindo sobre os serviços voluntários que ele irá prestar.

DIRETORA: É muito gentil de sua parte querer envolver-se com a nossa instituição, senhor Parker.

HARRISON: Harrison, a senhora pode me chamar assim. E... Eu que agradeço a gentileza de todos vocês. Quero muito fazer isso.

DIRETORA: Percebo em seus olhos. É raro alguém da sua idade se voluntariar. A maioria dos jovens prestam serviços aqui como forma de punição.

HARRISON: Sempre gostei de ajudar as pessoas e não me vejo fazendo outra coisa a não ser isso. Aprontaria muito na vida se a única punição fosse prestar serviços comunitários. (Sorri)

DIRETORA: Se mantiver esse mesmo pensamento altruísta, você irá longe. A vida recompensa muito bem as pessoas de bom coração. Pode não ser perceptível aos olhos humanos, mas isso existe.

   Harrison sorri.

DIRETORA: Bom, você já conheceu o refeitório. Acho que esquecemos o principal. Vou levá-lo a sala de música onde estão alguns dos nossos. (sorri)

   Eles seguem por um longo corredor. Harrison ouve o SOM de um piano. Alguém está tocando. Ele sorri.

HARRISON: Quem está tocando piano tão bem?

DIRETORA: Ah! Você precisa vê-lo se apresentando. É talento puro.

   Os dois se aproximam da sala. A diretora bate a porta e a abre. Eles entram e no piano está Lucas. Harrison fica sem jeito. Uma garotinha dança com fitas ao som do instrumento. A apresentação acaba. Todos aplaudem.

LUCAS: Parabéns, Lindsay!

LINDSAY: Obrigada, Luke. (Sorri)

   Lucas fecha o piano. A diretora aproxima-se do rapaz.

DIRETORA: Olá, Lucas.

LUCAS: Oi.

DIRETORA: Como estão se saindo?

LUCAS: Estão muito bem. Ansiosos pela apresentação.

DIRETORA: (Sorri) Estou feliz. Bom, eu vim lhe apresentar... Harrison Parker.

   Lucas olha para Harrison e não expressa emoção alguma. Harrison força um sorriso.

DIRETORA: Ele é um voluntário. Vai ajudar aqui com as crianças no que for necessário.

LUCAS: Hm. Isso é muito bom, não?

DIRETORA: Sim. É muito difícil algo assim hoje em dia.

    Harrison sorri.

HARRISON: Acredito que vou gostar muito de ajudar. E olhem todas essas crianças.

DIRETORA: Vá com calma. Elas não são esses anjinhos o tempo todo. (Sorri)

     O sinal do lanche soa. As crianças saem da sala correndo.

DIRETORA: Devagar, meninos! Façam fila! Aguarde um momento, Harrison. Vou levá-los para o lanche.

HARRISON: Tudo bem.

   Harrison fica sozinho com Lucas na sala. Lucas se levanta do piano e arruma sua mochila. Ele evita olhar para Harrison.

HARRISON: Você lembra de mim?

  Silêncio.

HARRISON: Sou o novato da sua sala no Florence High. Tá lembrado?

   Lucas olha fixamente nos olhos de Harrison. O último se cala e presta atenção aos movimentos de Lucas.

LUCAS: Eu não costumo lembrar de qualquer coisa que aparece de repente por aí, não.

HARRISON: Qualquer coisa? Eu sou uma pessoa, viu?

LUCAS: Que seja. Fique longe de mim.

HARRISON: Oi?

LUCAS: Ainda por cima é surdo.

     Harrison entra na frente de Lucas.

HARRISON: Eu não sei o que eu fiz pra você, mas você deveria tratar as pessoas um pouquinho melhor, cara.

LUCAS: Sabe o que eu acho, CARA? Que você deveria ficar na sua. Está esperando que eu faça o quê? Te abrace por ter entrado aqui? Cai fora.

   Lucas vai até a porta da sala. Harrison o para antes que ele saia.

HARRISON: Lucas, espera... Eu sinto muito.

 Lucas olha para o garoto seriamente e sai logo depois. Harrison o observa ir embora.


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CENA 11 - INT. FLORENCE HIGH – DIA

  [FLASHBACK IN]

   Harrison e Paris conversando sobre Lucas.

PARIS: Quando ele entrou no colégio, ele era um garoto brilhante. Todos gostavam dele e ele sabia lidar com as outras pessoas tão bem.

HARRISON: Sem brigas e nem cara feia?

PARIS: Nada. Ele era cintilante como um topázio azul e andava por aí ajudando todo mundo. Aí ele se envolveu com o Brian, um novato.

HARRISON: Um rapaz... Hm. E o que aconteceu?

PARIS: Como eu disse anteriormente... Ele o perdeu. Os dois andavam por aí de mãos dadas. Eram lindos juntos.

    Harrison continua olhando para Lucas até que o garoto percebe e lhe lança um olhar de ódio.

PARIS: Foi um ano perfeito, mas Brian começou a andar sozinho pelos cantos, chorando. Todo mundo achava que eles estavam separados, mas não. Continuavam juntos e muito bem juntos.

HARRISON: E o que tinha acontecido?

PARIS: Bom, o garoto chorava quase todo dia. Lucas estava desesperado também. Ninguém sabia realmente o que se passava. Brian tinha uma vida perfeita e os pais o aceitavam. Então...

HARRISON: Não tinha razão para ele ter se matado.

PARIS: Isso. O Luke o fazia tão feliz, curava a choradeira do garoto de uma forma que era impossível colocar a culpa do que aconteceu no amor deles.

HARRISON: Quer dizer que ele simplesmente se suicidou?

    Paris faz que sim com a cabeça.

HARRISON: Enquanto ao outro?

PARIS: Keegan era o nome dele. Mas não era da escola. Ele conheceu o Lucas depois de um ano da morte do Brian. Keegan trabalhava para ninguém mais, ninguém menos que o seu pai, Harrison.

HARRISON: Meu pai?

PARIS: Sim, Keegan White era um dos melhores lutadores da academia RED FALCON. Vivia dando entrevistas na tv porque obviamente era o melhor dos melhores em qualquer luta, em tudo.

HARRISON: Minha nossa... Eu vi sobre isso nos jornais. A morte do Kirai. Era assim que o chamavam, não?

PARIS: Sim. Seu pai chorou bastante no enterro.

HARRISON: Meu pai chorando é a cena mais rara de ver no mundo.

PARIS: Continuando, foi aí que tudo desandou na vida do Lucas. Ele não foi ao enterro do namorado, não foi mais as aulas. Não foi a lugar algum.

HARRISON: O que houve com ele?

PARIS: Apareceu na escola depois de um mês. Totalmente mudado. Não sorria e empurrava quem estivesse em sua frente.

    Paris sorri por um momento.

PARIS: Eu me perguntei quem era aquele garoto. Quem cruzasse o seu caminho, ele fazia questão de derrubar. Havia aprendido muita coisa com o Keegan.

HARRISON: Lutar?

PARIS: Exatamente. Ninguém se metia com ele. Ele fez com que todo mundo o temesse. O odiasse. Acabou se tornando um rapaz frio, solitário e violento, além de viver chorando pelos quatro cantos e isso já faz um ano.

HARRISON: E os pais dele não fizeram nada? Psicólogos?

PARIS: Ele é órfão. A escola fez o que estava ao seu alcance. Ele não quis ouvir ninguém. Só pediu que o deixassem em paz. Ele assistiria suas aulas se ninguém se metesse em seu caminho.

HARRISON: Deve ter sido horrível pra ele... Perder as pessoas que ele amava da mesma maneira. Sentir-se sozinho por muito tempo.

PARIS: Ele se culpa por isso. Mas ninguém sabe o porquê dos garotos terem cometido suicídio.

HARRISON: Eis a sombria questão.

PARIS: A vida é cheia de questões. Umas mais esquisitas que as outras. Mas essa questão é algo que vai além da esquisitice.

[FLASHBACK OUT]

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CENA 12 - INT. CASA DOS PARKER - NOITE

   Harrison entra em casa e fecha a porta. Enquanto cruza o salão, Lúcio aparece em sua frente.

LÚCIO: Onde você estava até agora, Harrison?

HARRISON: Eu estava em um orfanato. Algum problema?

LÚCIO: Orfanato? Por quê?

HARRISON: Eu vou prestar serviços voluntários.

LÚCIO: Vai trabalhar para um orfanato de graça?

HARRISON: Eu não me importo com dinheiro. Sempre fiz voluntariado na capital. Aqui não vai ser diferente.

LÚCIO: Tudo bem, faça o que quiser, mas entenda que aqui você tem regras. Eu estou responsável por você e preciso saber dos seus passos pra tudo, entendeu?

    Harrison dá de ombros.

HARRISON: Eu vou passar as tardes de terça e quinta no orfanato. Deseja saber mais alguma coisa, Lúcio? 
                 
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CENA 13 - EXT. AVENIDA PRINCIPAL DA CIDADE - NOITE.


 Lucas andando pela avenida quase vazia. CHOVE muito e ele se protege embaixo de um guarda-chuva. Ele olha para trás diversas vezes. Sente que está sendo seguido. Aperta o passo. Vozes masculinas chamam seu nome incessantemente. Sombras se movimentam ao seu redor. Close no seu olhar escuro tornando-se azul brilhante.

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CENA 14 – INT. CASA NA ÁRVORE – NOITE

[FLASHBACK IN]

[MÚSICA TOCANDO: Close Your Eyes – Rhodes]



   Uma bela casa na árvore. Está chovendo muito e Lucas está com Keegan na sala. Eles jogam video game. Keegan está bastante concentrado, mas Lucas está pensativo.

LUCAS: Eu sei que posso parecer egoísta, mas eu não quero perder por nada nesse mundo...

      Keegan dá uma gargalhada, interrompendo Luke.

KEEGAN: Infelizmente você vai sim.

    Keegan beija o rosto de Lucas e volta a olhar para a televisão. Ele vence o jogo.

KEEGAN: BANG! Ganhei!

LUCAS: Não ia falar do jogo. Falo de você. Eu não quero perder você. Não vai me deixar, vai?

KEEGAN: Mas por que está me fazendo essa pergunta agora, Luke? 

LUCAS: Eu não sei... As pessoas quando amam fazem esse tipo de pergunta umas as outras, nao é?

   Keegan sorri.

KEEGAN: Você sabe qual será a minha resposta. Não precisa me perguntar isso.

LUCAS: Eu... eu apenas sou um poço de inseguranças.

KEEGAN: Não deveria ser. Não há motivos, não comigo.

LUCAS: Desculpe. Eu acho que nunca vou deixar de ser assim. Cresci sendo abandonado por tudo e todos. Parece que faz parte do meu DNA.

KEEGAN: Se existe algo que eu tenho certeza de que está presente em seu DNA, esse algo é magia.

   Keegan coloca as mãos no rosto de Lucas e acaricia. Ele aperta o queixo do garoto.

KEEGAN: Você é um encanto de pessoa, Luke. A minha sorte. Já passou por tanta coisa e sempre ergueu a cabeça. Isso é mágico e inspirador.

   Lucas sorri e segura a mão de Keegan.

LUCAS: Você sabe que é o único motivo de eu ainda ter forças, não sabe?

KEEGAN: O único motivo de você ainda ter forças é você mesmo. Eu estarei aqui pra te lembrar disso todos os dias da sua vida.

LUCAS: Não sei se sou forte.

KEEGAN: Você está aqui comigo, alguém que nunca irá te abandonar. Está aqui lutando contra os fantasmas do seu passado. Isso já responde todas as suas perguntas.

LUCAS: Então, isso implica em nunca me abandonar?

KEEGAN: Nunca, jamais. Eu sou seu amor e seu amigo. Pode confiar em mim.

   Lucas beija Keegan.
[FLASHBACK OUT]

 Lucas deixa o guarda-chuva cair e corre pela avenida.


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CENA 15 - INT. CASA DOS PARKER/QUARTO DE HARRISON - NOITE

  Harrison está em sua cama com o computador no colo. Ele conversa com sua amiga, ALEXIA HOUSTON (Janel Parrish) pela web cam.

HARRISON: Você precisava ter visto a cara dele. Faltou voar em cima de mim, foi hilário.

ALEXIA: Ele não tá te ouvindo, não, né migo?

HARRISON: Que nada. Já foi dormir faz horas.

ALEXIA: Vida de treinador lendário, meu bem.

HARRISON: Treinador de nada. Um verdadeiro treinador é fonte de inspiração para seus alunos e ele não tem nada disso.

ALEXIA: Não deixa de ser um gostoso que eu pegaria mesmo assim.

HARRISON: E você não deixa de ser uma safada. O que eu faço com você, hein?

   Alexia dá uma gargalhada.

ALEXIA: Não querido, a pergunta é o que eu faço com você. Quando vai arrumar alguém, garoto?

HARRISON: Eu não quero arrumar ninguém, Ale.

ALEXIA: Como assim não quer? Estamos no planeta pra isso, meu amor... Pra arrumar alguém.

HARRISON: Bagunçar alguém, você quer dizer. Grande parte das pessoas hoje em dia só está aqui pra isso.

ALEXIA: Fale por você. Ainda tem gente que presta no mundo. Você como um rapaz de coração puro deveria saber disso melhor do que ninguém.

HARRISON: Eu realmente sei disso, mas... Acho que essa gente que presta resolveu se esconder em um lugar bem longe de mim.

ALEXIA: Vai me dizer que não encontrou ninguém legal por aí?

HARRISON: Eu cheguei no sábado.

ALEXIA: Piorou. Já era pra estar casado. (Sorri)

    Harrison mostra sua língua pra Alexia.

HARRISON: Sabe, as pessoas daqui são bem legais... amistosas e serenas. Eu vou conseguir me adaptar. E na minha escola, tem um garoto...

  Grito de comemoração. Alexia coloca a cabeça pra trás numa gargalhada.

ALEXIA: Agora a conversa ficou interessante. Um garoto. Continua...

HARRISON: Seja menos eufórica, Ale.

Alexia faz um biquinho zombando do amigo.

HARRISON: Ele é gay e o conheci ontem, conheci entre aspas porque eu não falo com ele. Você precisa ver. Ele é diferente. Me encantei (sorri)

ALEXIA: Como consegue se encantar por alguém com quem você nunca falou? Isso é tão coisa de gay pré-adolescente. Amigo, o negócio aqui é mandar a real. Fala logo que ele te atrai e você quer as nudes na sua mesa agora.

HARRISON: Ale! Tô falando... Eu não me senti atraído. Aliás, o jeito como ele me tratou e como trata as pessoas ao redor só faz com que ele se torne alguém que eu queira bem longe de mim.

ALEXIA: Ah, eu tô confusa! Como diabos você se encantou?

HARRISON: Ele carrega uma história triste demais. É compreensível tanta tristeza e ódio em um ser. Ele não quer ter contato com ninguém, mas veja só... Ele toca piano, mora e faz trabalho voluntário no orfanato onde eu me voluntariei. A gente acabou se encontrando por aí.

ALEXIA: Ele parece o seu clone, eu sei. (Sorri) Só não me diga que anda perseguindo o garoto agora.

HARRISON: Meu nome ainda não é Alexia, querida.

ALEXIA: Então isso só pode ser o destino. Olha que super duper cute.

HARRISON: Não sei. Eu tentei falar com ele, cumprimentar, mas ele simplesmente me ignorou. Então okay. Vida que segue.

ALEXIA: Procure outra diversão por aí que você vai achar. Sempre tem.

HARRISON: Não quero procurar nada. Eu quero paz. Desfrutar do melhor das pessoas. Eu não sou fã de aventurazinhas.

ALEXIA: Como se amor não fosse uma aventurazinha. Ele é uma aventura, e nós não decidimos se ela será longa ou não.

HARRISON: Não me venha com suas filosofias baratas, por favor, Ale.

-corta para:

CENA 16 – INT. ORFANATO/QUARTO DE LUCAS – NOITE.


[MÚSICA TOCANDO: Colors Pt. II – Halsey]



  Lucas atravessa o corredor correndo e abre a porta do seu quarto. Ele tira todas suas roupas do armário e joga no chão. O garoto se despe e veste apenas uma camisa. Ele está tremendo. Se joga na cama e desmaia.

  
CENA 17 – SONHO DE LUCAS

   A música continua. Lucas está em um enorme salão mal iluminado. Há centenas de vasos de cristal ao redor dele. Algumas pessoas vestindo roupas de sacerdotes andam rapidamente pelo lugar. Um feixe de luz lhe atingindo o rosto e deixando sua visão embaçada. Ele corre e tropeça em algo. Ao se levantar vê os corpos de Brian e Keegan no chão. Ensanguentados.
-corta para:


CENA 18 – INT. CASA ABANDONADA – NOITE

  Algumas pessoas conversando. Elas usam sobretudos e máscaras do estilo Persona Trágica. Reunidas em um círculoelas mantém suas mãos no centro da mesa, segurando um CANDELABRO com sete velas. Quatro velas estão iluminando o lugar com um esquisito fogo de cor azul.

ADOLPH: Como estamos indo, Elizabeth?

ELIZABETH: Quase lá... A energia está sendo realçada. Dessa vez, ele não escapa.

INVERNO: Finalmente conseguiremos despertar a nossa fera azul.



-corta para:


CENA 19 – INT. QUARTO DE HOTEL – NOITE.

    Damian está na janela do hotel e sente uma energia poderosa sendo emitida na cidade. Ele fecha os olhos.

DAMIAN: Te encontrei!

   Lana se aproxima do mestre.

LANA: Damian, o que houve? Encontrou algo?

DAMIAN: Sim. Não se preocupe, eu vou cuidar disso.

  Damian junta suas mãos. Close em seus olhos se revirando.

LANA: Não faça isso, mestre. Você não tem energia suficiente para essa técnica.

DAMIAN: Cale a boca, Lana. Não me atrapalhe.

   Um nevoeiro azul invade a sala onde eles estão.

LANA: Eu vou tentar encontrá-lo. Não faça esforço!

DAMIAN: Não me atrapalhe, eu já falei.

                                                  -corta para:


CENA 20 - SONHO DE LUCAS

 Lucas grita e chora ao ver os corpos dos homens de sua vida jogados no chão e cobertos de sangue. Sua mão começa a flamejar e ele destrói todos os vasos de cristal, colocando fogo no salão.

                                                  -corta para:


CENA 21 – INT. ORFANATO GG/QUARTO DE LUCAS – NOITE.

  Uma irmã do orfanato sacode Lucas para que ele acorde de seu pesadelo. O garoto grita e outras irmãs aparecem. Lucas levanta da cama e lança a irmã contra a parede do quarto. Os olhos dele estão azuis e brilham bem forte no quarto escuro. Ele se aproxima lentamente das outras mulheres, mas a irmã que foi arremessada levanta e acerta sua cabeça com um vaso. Lucas cai desacordado.


-corta para:


CENA 22 – INT. QUARTO DE HOTEL – NOITE.

 Os olhos de Damian se abrem. Ele desmaia e é sustentado por Lana. A névoa azul some do quarto.

LANA: Mas o que é isso?


-corta para:


CENA 23 – INT. CASA ABANDONADA – NOITE.

   As velas de chamas azuis se apagam, a sala escurece e as três pessoas da mesa são lançadas contra a parede por uma força desconhecida.

ADOLPH: O que diabos foi isso?

INVERNO: Interromperam o processo.

ADOLPH: Merda!

ELIZABETH: Não se preocupem. Não é a primeira vez, então não desanimem.

INVERNO: Eu já estou de saco cheio...

ELIZABETH: Inverno, fique calado.

INVERNO: Vamos tentar novamente.

ADOLPH: Não. O garoto não vai aguentar mais pressão espiritual.

INVERNO: Você desconhece o poder do rapaz. Como pode dizer que ele é fraco com tanta convicção?!

ELIZABETH: Adolph está certo. Também não sabemos se ele possui um corpo forte. Vamos parar por alguns dias.

INVERNO: O garoto consegue evitar a influência de nós três! Obviamente ele aguenta mais um pouco de dor.

ELIZABETH: Eu disse ‘Parar’, Inverno.

INVERNO: Como quiser, Elizabeth.

ELIZABETH: Ele vai acabar cedendo uma hora ou outra. E finalmente vamos ter o que queremos.


-corta para:


CENA 24 – INT. CASA DOS PARKER/QUARTO DE HARRISON – NOITE.

   Harrison está deitado em sua cama. Ele levanta e vai até a sacada. Observa o céu estrelado. Uma estrela cadente atravessa as constelações. Harrison inclina seu corpo sobre a proteção de ferro, olha pra baixo e depois fecha os olhos.

[TELA PRETA]

   SIRENE DE AMBULÂNCIA ao fundo.

[FIM DO EPISÓDIO]


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